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Minc reclama de ministérios com Lula e espera estancar sangria

Por Ana Paula Paiva BRASÍLIA (Reuters) - O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, reuniu-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira para reclamar da atuação de outros ministérios e da falta de apoio em relação a sua pasta, mas disse ter recebido apoio do presidente, que se comprometeu a fortalecer a área ambiental.

Reuters |

"Eu coloquei para o presidente Lula que o ministério está embaixo de pancada", afirmou Minc, que na véspera completou um ano à frente do ministério e disse que foi o dia de "discutir a relação".

Minc se queixou da falta de cumprimento das decisões acertadas entre diferentes áreas do governo e pediu um gesto concreto e "sinais claros" do Executivo, em um momento de "crise com representantes do setor ruralista, que trabalham pelo desmantelamento da política ambiental".

"Ele (Lula) vai chamar os ministros, os nossos líderes e falar: 'Pessoal, a regra é a seguinte: a gente discute aqui. Ganha e perde cada um, mas depois que a gente conversar aqui não vai lá (no Congresso) desfazer'", afirmou Minc, alegando que uma série de questões estavam tirando a sustentabilidade ambiental e política do seu ministério.

O ministro acrescentou que Lula apoiou seis das oito questões levantadas por ele, incluindo a proibição de plantação de cana-de-açúcar no Pantanal e o controle de emissões em usinas de energia elétrica movidas a óleo e carvão.

Mas o presidente não concordou com a proposta de elevação nos pagamentos feitos por usinas hidrelétricas para compensar impactos ambientais.

Desde de que assumiu o Meio Ambiente, Minc tem entrado em rota de colisão com setores ruralistas, que buscam mudanças na legislação ambiental, as quais o ministro e o setor ambientalista se opõem.

Recentemente, parlamentares ruralistas conseguiram colocar mudanças numa medida provisória que visa a regularização fundiária na Amazônia. Segundo ambientalistas, essas mudanças, se aprovadas, provocarão uma nova onda de ocupação fundiária e desmatamento na região.

Há cerca de um ano, a senadora Marina Silva (PT-AC), antecessora de Minc, deixava o Ministério do Meio Ambiente por enfrentar oposição à sua agenda dentro do governo.

O ministro classificou o encontro com o presidente de animador. Para ele, a pasta vai mostrar "que pode ajudar o Brasil, pode ajudar o meio ambiente, pode ajudar o licenciamento, pode ajudar o PAC e não vai ser enfraquecida, não vai ser humilhada, não vai ser esquartejada, colocada numa posição subalterna".

Segundo o ministro, sem respaldo, "vai cada um com a sua machadinha tirar um pedacinho".

O ministro disse ainda que o presidente se mostrou surpreso com suas reclamações. "O presidente falou: 'Estou muito surpreendido com o que você está dizendo, não quero te enfraquecer, não concordo com ministros que não conseguem uma coisa aqui e vão lá para o Parlamento pra querer te desfigurar'".

"Acho que o dia de hoje foi importante para o reconhecimento da pasta, para estancar essa sangria", resumiu o ministro, que descartou deixar o cargo.

(Texto de Maria Pia Palermo, Edição de Eduardo Simões)

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