Ao deixar hoje o Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, onde despachou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, fez um desabafo. Ele disse que na conversa com o presidente criticou colegas de ministério, que segundo Minc, estariam com suas machadinhas esquartejando a área ambiental.

Ele reclamou que combina uma coisa com os ministros e depois os colegas fazem negociações paralelas no Congresso. "Foi uma conversa a sós, tête-a-tête, olho no olho. E falei para o presidente que a área ambiental está sendo muito agredida no Parlamento e na sociedade."

Minc afirmou que concedeu muitas licenças ambientais, citando as obras das hidrelétricas de Belo Monte e Jirau, mas que não estaria havendo compensações e solidariedade para área ambiental. O ministro disse também que não concorda com a obra de restauração e asfaltamento da rodovia BR 319, na Amazônia. "Eu respondi para o presidente que estava eticamente e moralmente impedido de dar uma licença que não cumprisse rigorosamente aquelas condições emanadas por um grupo de trabalho", afirmou. "A licença já é um desastre ambiental de grande proporções, e será maior se não forem respeitadas as condições."

A rodovia é defendida pelo ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, que é senador licenciado pelo PR do Amazonas e potencial candidato ao governo do Estado. Mas segundo Minc, a BR 319 atravessa "o coração da Amazônia", uma das áreas ainda intactas da floresta. "Eu disse (ao presidente) que não ia abrir mão disso." Minc afirmou ainda que não vai aceitar propostas como do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) de fazer compensações ambientais somente depois da conclusão das obras.

Questionado se poderá deixar o cargo, diante de tamanha insatisfação, Minc respondeu: "Eu não condicionei a permanência do governo". "O que eu disse para o presidente é que completei um ano de governo, servi ao presidente, resolvi grande imbróglios e que grandes questões estavam tirando a sustentabilidade ambiental e do ministério", afirmou. "Ele (presidente) concordou que isso não era correto, disse que estava contente com o meu trabalho e que não vai permitir que a área seja enfraquecida."

Vestido com um colete de operações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o ministro afirmou que estava pronto para uma guerra e que ia para uma operação, sem dizer onde.

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