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Minc considera um desastre adiar pacto climático para 2010

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, classificou nesta segunda-feira como um desastre a proposta feita pela Dinamarca e acatada pela ONU e pelos EUA para que um acordo global definitivo contra as mudanças climáticas seja adiado para 2010. O primeiro-ministro dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen, voou para Cingapura no fim de semana para apresentar seu plano a uma reunião de líderes dos países da região Ásia-Pacífico, incluindo o presidente norte-americano, Barack Obama, numa tentativa de última hora de dissipar um sensação crescente de pessimismo em relação às negociações marcadas para dezembro em Copenhague.

Reuters |

Obama deu seu apoio ao plano antes de embarcar para sua primeira visita presidencial à China, que disse nesta segunda-feira estar "estudando" a proposta de adiamento do pacto climático. O acordo prevê que os signatários sejam legalmente obrigados a cumprir os dispositivos.

"Nós não temos o direito de frustrar a população do mundo inteiro. Eles resolveram antecipar a frustração para tentar minimizá-la. Eu acho que é um mau passo", disse Minc a jornalistas antes de reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do governo, em Brasília.

"A gente está com um problema sério, não vou minimizar. É um desastre, uma frustração"", acrescentou.

Na sexta-feira, o Brasil apresentou planos sobre a questão que pretende levar à reunião de Copenhague do próximo mês, incluindo uma meta voluntária de reduzir em até 38,9 por cento as emissões de gases-estufa para 2020, uma medida vista por especialistas como importante para incentivar as negociações que estão travadas.

"A posição brasileira foi uma lufada de oxigênio e a posição dos Estados Unidos e da China foi um tiro no pé e no peito", afirmou Minc, acrescentando que o Brasil vai buscar o apoio de outros países contra o adiamento do acordo climático.

"O Brasil se articulará com outros países, não só com a França, como o presidente (Luiz Inácio) Lula (da Silva) já fez", disse.

Segundo Minc, o Brasil buscará o apoio da União Europeia, da África do Sul e do México para evitar o fracasso de Copenhague.

As negociações climáticas estão travadas devido a discordâncias entre países ricos e pobres em relação a quem deve ser obrigado a reduzir suas emissões, quais as proporções das reduções e quem deve pagar por isso.

O principal negociador da ONU para as mudanças climáticas, Yvo de Boer, também defendeu nesta segunda-feira um adiamento de seis meses para um acordo climático definitivo, que seria fechado numa cúpula em Bonn, na Alemanha, em meados de 2010.

(Reportagem de Ana Paula Paiva)

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