A decisão da China e dos Estados Unidos não levar à conferência internacional sobre mudanças climáticas, em Copenhague (COP 15), metas numéricas de redução de emissão de gases de efeito estufa é um desastre, e é preciso tentar revertê-la, afirmou hoje o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. A conferência será realizada de 7 a 18 de dezembro.

Minc comparou o posicionamento da China e dos EUA a posturas assumidas anteriormente por esses e outros países em relação a acordos sobre subsídios agrícolas ou uso de algum produto para fins específicos, que podem ser substituídos por outros. "Mas esta discussão (a de Copenhague) é sobre o planeta, e não temos outro planeta. Eles (EUA e China) vão atrair a ira de todos os povos do planeta", declarou o ministro.

Minc considera que com a posição da China e dos EUA, a situação ficou delicada e caberá à população americana cobrar um posicionamento mais efetivo do governo. Na avaliação do ministro brasileiro, o anúncio foi feito pelos dois países logo após a apresentação das metas brasileiras no intuito de evitar uma frustração em relação ao encontro de Copenhague. "Esse foi um mau passo. Depois da lufada de oxigênio com as metas apresentadas pelo Brasil, agora foi um tiro no pé e outro no peito. Temos um problema sério. Isso é um desastre", declarou Minc.

Ele acha que a decisão da China e dos EUA pode ter sido uma resposta às metas de redução de emissões anunciadas na sexta-feira passada pelo governo brasileiro - de 36% a 39% -, mas, para ele, é preciso tentar reverter essa situação nos próximos dias. "A China e os Estados Unidos, juntos, são responsáveis por 50% das emissões de gases do planeta. Sem eles, obviamente, não há acordo consistente, mas vamos forçar até o último minuto", disse o ministro. Para ele, a posição dos dois gigantes não é admissível: "Parece abraço de afogado, que justifica a não-colaboração do outro."

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