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Militante sequestrada reconhece ex-agente do Dops

Uma audiência realizada ontem no Foro Central de Porto Alegre colocou frente a frente a militante de esquerda uruguaia Lilian Celiberti e João Augusto Rosa, um ex-policial civil que ela identifica como integrante da equipe do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) gaúcho que a sequestrou, em novembro de 1978, e a entregou para o Exército do Uruguai. Esse foi um dos episódios mais conhecidos acerca da Operação Condor - aliança político-militar entre as ditaduras latino-americanas que teria coordenado a repressão aos opositores dos regimes.

Agência Estado |

O motivo da audiência é uma ação por danos morais que o ex-policial, que pertenceu à equipe do delegado Pedro Seelig - principal nome da repressão no Sul do País durante a ditadura -, move contra o jornalista Luiz Cláudio Cunha. Autor do livro Operação Condor: O Sequestro dos Uruguaios, lançado em 2008 pela editora L&PM, Cunha relatou a história do rapto de Lilian, seus dois filhos e Universindo Diaz, ocorrido na capital gaúcha.

"Fizemos uma ação não para receber dinheiro, mas porque ele me chamou de medíocre no livro, disse que tenho focinho. Quem tem focinho é animal", reagiu o ex-policial. Cercado pela imprensa, o ex-agente negou que tivesse encontrado Lilian alguma vez na vida. "Só a conhecia por fotos", afirmou.
A militante reconheceu o ex-policial como um dos integrantes da equipe que a manteve presa por uma semana no apartamento da Rua Botafogo, no bairro Menino Deus, em Porto Alegre. "Conheço ele do sequestro, não da tortura que sofri. Ele estava no traslado na noite de 12 de novembro de 1978 em que, junto com o (ex-jogador de futebol) Didi Pedalada, levou eu e meus dois filhos à fronteira para sermos entregues ao Exército uruguaio", disse.

O advogado de Rosa, Newton Jancowsky, afirmou que a militante de esquerda teria mentido para aproveitar a presença maciça da imprensa na audiência. "Ela recebeu uma indenização muito boa do Estado, obviamente jamais iria se posicionar de maneira contrária." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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