Milhares de pessoas aguardavam hoje em fila para entrar no ginásio de uma universidade no subúrbio de Manila, onde é velado, até amanhã, o corpo da ex-presidente das Filipinas Corazón Aquino, considerada um ícone da democracia filipina. Posteriormente, o corpo será levado à Catedral de Manila.

O funeral está marcado para quarta-feira. Aquino morreu aos 76 anos num hospital de Manila na madrugada de sábado - hora local - após meses de tratamento contra o câncer de cólon.

O operário Jose Olazo, de 53 anos, era uma das pessoas que esperaram por horas na fila para poder velar Aquino. Ele chorou ao vê-la no caixão e jurou continuar defendendo a democracia que a ex-presidente ajudou a implantar no país após décadas de ditadura.

Olazo levou o neto de um ano ao velório e, em volta da cabeça do menino, amarrou uma faixa amarela. A cor foi utilizada como símbolo pelos manifestantes liderados por Aquino e pelo cardeal da Igreja Católica Jaime Sin, em 1986, durante os protestos pacíficos que derrubaram do poder o ditador Ferdinand Marcos. "Ele é o manifestante da próxima geração", disse, apontando para a criança.

Meses antes de receber o diagnóstico do câncer, a ex-presidente participou de manifestações de rua alimentadas por receios de que o governo da atual presidente filipina, Gloria Macapagal Arroyo, tentaria emendar a constituição de 1987 para prorrogar sua permanência no cargo.

Condolências

O papa Bento 16 enviou condolências à família de Aquino e ao governo das Filipinas, ressaltando que a ex-presidente assumiu um "compromisso corajoso com a liberdade do povo filipino e rejeitou firmemente a violência e a intolerância", de acordo com o arcebispo e cardeal de Manila, Gaudencio Rosales, que recebeu ontem a mensagem do sumo pontífice.

Outros líderes de Estado também se manifestaram sobre a morte de Aquino. Segundo o secretário de imprensa da Casa Branca, Robert Gibbs, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, estava profundamente entristecido com a situação.

O presidente da China, Hu Jintao, enviou condolências a Arroyo, de acordo com um comunicado do porta-voz do ministério de Relações Exteriores, Jiang Yu. "A sra. Aquino é uma líder notória das Filipinas e também uma amiga do povo chinês", afirmava o texto.

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