BRASÍLIA ¿ O deputado Ivan Valente (Psol-SP) afirmou nesta terça-feira que ¿determinados¿ veículos de comunicação que participaram da cobertura jornalística do sequestro seguido de morte da adolescente Eloá Pimentel, em Santo André (SP), tornaram o sequestrador, Lindemberg Alves Fernandes, uma celebridade¿. http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2008/11/11/cobertura_do_caso_eloa_foi_feita_sem_etica_afirma_deputado_2108279.html target=_topCobertura do caso Eloá foi feita ¿sem ética¿, afirma deputado

Acordo Ortográfico

Durante o sequestro, a polícia não conseguia entrar em contato com o sequestrador porque ele estava dando entrevista ao vivo para as emissoras. É evidente que espetacularização da cobertura iria torná-lo uma celebridade, disse o deputado, autor do requerimento para realização da audiência pública que discute a atuação de redes de televisão na cobertura do caso.

De acordo com Ivan Valente, as emissoras de televisão se lançaram numa disputa sem princípios por audiência na cobertura do sequestro. "Chegou-se ao ponto de repórteres, em contato telefônico com Lindemberg, tentarem se passar por negociadores, buscando convencê-lo a se entregar, acrescentou.

Durante o debate, o deputado questionou ainda alguns representantes de emissoras de TV que estavam presentes na audiência e pediu para que fizessem uma reflexão sobre a cobertura realizada no caso. A audiência está sendo realizada nesta tarde pelas comissões de Defesa do Consumidor; e de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática.

O caso

Futura Press
Amigas Eloá e Nayara/ Arquivo pessoal
Amigas Eloá e Nayara/ Arquivo pessoal
O sequestro começou na segunda-feira (13) e se prolongou até sexta-feira, tendo durado mais de 100 horas. Lindemberg invadiu o apartamento de Eloá por volta das 13h30, por estar inconformado com o fim do relacionamento com a estudante.

Na terça-feira, ele libertou a amiga da ex-namorada, Nayara, que foi rendida novamente na manhã de quinta-feira. Seu retorno foi um pedido do sequestrador como condição para a libertação de Eloá, mas, quando a menina entrou no apartamento, tornou-se refém.

Pouco antes do desfecho do sequestro, a equipe do Batalhão de Choque da PM estava posicionada no apartamento ao lado onde estavam Lindembergue e as reféns. De acordo com a polícia,  na sexta-feira, os agentes decidiram invadir o apartamento após ouvirem um disparo.

Os policiais arrombaram a porta do apartamento e explodiram uma bomba de efeito moral. Segundo o coronel Eduardo José Félix, comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar, neste momento a equipe ouviu três disparos vindos de dentro do apartamento. Ao invadirem o local, exatamente às 18h08, os policiais encontraram o seqüestrador de pé, entre a sala e a cozinha. Eloá estava caída baleada na cabeça e Nayara estava com um ferimento na boca.

A primeira a sair do apartamento foi Nayara, que saiu caminhando e foi colocada numa ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Lindembergue foi levado para uma viatura da Força Tática. A ex-namorada de Lindembergue saiu carregada por um policial e foi levada numa maca até a ambulância do Samu.


Veja a retrospectiva do caso

Leia mais sobre: sequestro em Santo André

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.