Michael Moore: um ano depois, nada mudou em Wall Street

TORONTO ¿ Wall Street não aprendeu quase nada com o colapso do Lehman Brothers e com a crise financeira global, afirmou o cineasta Michael Moore nesta segunda-feira, no aniversário de um ano da quebra do banco de investimentos americano.

AFP |

"Acho que o setor financeiro aprendeu que precisa se tornar mais engenhoso ainda para continuar armando o esquema da pirâmide (Ponzi scheme)", disse Moore, que participa do Toronto Film Festival.

"Eles ainda estão tentando bolar novas idéias para derivativos (financeiros), e agora estão atrás dos seguros de vida. Eles estão fazendo derivativos de seguros de vida!", explicou.

A implosão do gigante dos investimentos Lehman Brothers no final de semana dos dias 13 e 14 de setembro deixou o mundo das finanças em estado de choque - e foi o marco zero de uma crise que remodelou o setor e assustou a economia real.

Moore lamentou que, um ano depois da "merda ter ido parar no ventilador", pouco foi feito para reformar o que ele descreve como a raiz do problema: "o próprio capitalismo".

"Passou um ano, e eu não vi um único programa de entrevistas ou uma única edição de 'Meet the Press' ou um editorial do New York Times no qual uma voz tenha se erguido para dizer: 'o problema real é o próprio capitalismo'", reclamou o cineasta.

"É um sistema econômico que não funciona", insistiu. "Não é igualitário, não é democrático, não é justo e tem que acabar".

"Eu sei que não sou a única pessoa que pensa assim, então por que não ouvi falar disso, por que não li nada sobre isso, por que esta parte do debate é removida do discurso?", indagou Moore.

"O capitalismo é uma besta", afirmou. "Nunca vai parar. Tem um desejo insaciável de fazer dinheiro. Você pode colocar quantos fios ou cordas quiser ao redor dele, mas ele vai escapar", acrescentou.

Moore apresentou em Toronto seu novo documentário "Capitalism: A Love Story" ("Capitalismo: uma história de amor", numa tradução livre), cujo alvo é a ganância corporativa.

Aproveitando os microfones em Toronto, Moore fez um apelo aos partidários do presidente americano, Barack Obama, para que aprovem seu plano de reforma do sistema de saúde e não deixem a minoria oposicionista roubar a cena.

"Me sinto mal pelo presidente Obama e pelo que ele está passando, tentanto ajudar pessoas que sofrem para conseguir assistência", declarou.

"Todas aquelas dezenas de milhões de pessoas que votaram nele, onde estão elas? Quem o apóia?", perguntou o cineasta.

"Vejo a minoria falando", indicou, "mas onde está a maioria? Onde estão as pessoas que votaram em Obama? Onde estão as pessoas que queriam isso?", concluiu.

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