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Michael Moore levanta bandeira contra capitalismo em novo documentário

Nos últimos anos, George W. Bush foi a obsessão de Michael Moore. Desde Tiros em Columbine (2002), ganhador do Oscar, o ex-presidente norte-americano era sistematicamente alvo das lentes do documentarista. Material para atacar e tirar sarro do caubói na Casa Branca, de fato, não faltava. Bush não some completamente do novo filme do diretor, Capitalismo, Uma História de Amor, que estreia no Brasil dentro da programação do festival É Tudo Verdade, mas a próxima encarnação do mal já tem nome e endereço: o sistema capitalista, e está aí do seu lado.

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

Getty Images

Michael Moore marcha em Wall Street para promover lançamento de "Capitalismo"

Do seu lado, mas Moore quer mesmo é analisar como anda a situação nos Estados Unidos, seu playground favorito. E para isso retorna à década de 1940, quando o país espanta de vez o fantasma da Grande Depressão e, graças à guerra, faz suas indústrias e a classe média decolarem. O auge do "american way of life" é recuperado em vídeos educativos da época: "O capitalismo nos deu o melhor padrão de vida do mundo. Por que fazer perguntas?", indaga o apresentador.

Corte para 2008. A flexibilização das regras do setor imobiliário pelo governo estimulou centenas de milhares de norte-americanos a hipotecarem suas casas, com a promessa de dinheiro fácil. O resultado foram prestações que não paravam de aumentar, impossíveis de serem quitadas. Hoje, estima-se que a cada 7,5 segundos um cidadão perde sua casa para os bancos. "Somos pessoas de classe média tentando sobreviver. Por que fazem isso?", diz uma mulher, às lágrimas, enquanto empacota suas coisas. "Agora entendo porque as pessoas saem por aí atirando nos outros", completa seu marido.

Divulgação

Documentário mostra influência das
grandes corporações no governo

A situação é dramática, e o diretor resume a situação em poucas palavras: "Isso é o capitalismo, um sistema que dá e tira. Hoje, tira mais do que tudo". O bom e velho maniqueísmo que Moore tanto admira e faz próximo da perfeição. Quase tudo serve para ele mostrar seu ponto de vista: trucagem, dublagem, animação, trilha sonora e material de arquivo, toneladas dele. Sem contar o texto excelente dos offs. Tudo parece perfeito demais, tão manipulado para comprovar a versão do documentarista, que, como é comum em sua obra, nem parece verdade. Mas é.

Para isso, colaboram os personagens excelentes que a equipe de Moore garimpa pela América do Norte. Sim, a recuperação de imagens históricas fornece a base para mostrar o declínio do império americano ¿ o paralelo dos EUA com Roma é sensacional ¿, mas dar rostos para a tragédia confere liga e sentimento ao filme. Estão lá famílias de luto estupefatas ao descobrir que grandes empresas lucraram milhões com o seguro de vida de empregados mortos; a cidade com as mais altas taxas de condenação juvenil, graças a um reformatório privatizado; e os padres que acusam o capitalismo de ser "radicalmente mau", contra a compaixão e religiões.

Além do próprio Moore, claro. Seus dois últimos trabalhos não foram muito bem de bilheteria e ele não conseguiu evitar a reeleição de George W. Bush, mas "Fahreinheit 11 de Setembro" (2004), seu ataque direto à antiga administração, rendeu US$ 120 milhões, venceu a Palma de Ouro em Cannes e o estabeleceu como um ícone pop. Se ele não tem o mesmo poder de antes, o expediente que lhe rendeu boa parte da fama continua o mesmo: fazer graça.

AFP

O presidente venezuelano Hugo Chávez e Moore em Veneza: força da esquerda

Em um retorno às raízes, o diretor aparece mais uma vez em sua cidade, Flint, no Michigan, arrasada depois que a General Motors fechou a fábrica local. E, como em seu longa-metragem de estreia, "Roger e Eu", lá vai ele bater na porta da montadora. "Estou há 20 anos tentando falar com eles", lamenta. As portas nunca se abrem, mas Moore insiste, e esse é seu humor. Indignado com o pacote de US$ 700 bilhões que o governo aprovou para salvar instituições financeiras da crise, ele coloca seu boné, senta em um carro-forte, sai carregando um saco com um cifrão e vai a bancos em Wall Street tentar pegar o dinheiro de volta.

A fórmula parece batida, mas é o cinema que Michael Moore se especializou em fazer, o alívio cômico de uma porrada de denúncias. E se a ganância das grandes corporações e sua influência nas administrações republicanas nos últimos 30 anos (Bill Clinton, veja só, não aparece no filme) estava por trás de tudo, o diretor pega carona na ficção e aposta em um final feliz, com a chegada de Barack Obama em Washington. É a semente da mudança, o início de uma virada na América da Norte, com a população consciente de seus deveres e direitos.

Pelo menos é para isso que serve a arte engajada de Moore. A defesa dessas ideias é tão apaixonada que é difícil não se relacionar com "Capitalismo, Uma História de Amor", mesmo com a parcialidade deixando uma coceira danada atrás da orelha, e não há nenhuma novidade nisso ¿ a filmografia do diretor tratou de deixar isso claro já faz muito tempo. Dentro desse contexto, o documentário exibe um vigor que Moore não mostrava lá se vai quase uma década. Resta ao espectador ter a consciência do que está vendo e se sensibilizar ¿ ou não ¿ com as sacudidelas que ele promove.

Assista ao trailer de "Capitalismo, Uma História da Amor":

Serviço ¿ "Capitalismo, Uma História de Amor" no É Tudo Verdade
Espaço Unibanco de Cinema (São Paulo): sábado (10), às 19h
Espaço Unibanco de Cinema (São Paulo): domingo (11), às 17h
Cinemark Eldorado (São Paulo): segunda (12), às 19h30
Unibanco Arteplex (Rio de Janeiro): terça (13), às 19h
Cinemark Downtown (Rio de Janeiro): quinta (15), às 19h30
Entrada Franca

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