Michael Haneke exibe em Cannes olhar sobre as raízes do terror

Por James Mackenzie CANNES (Reuters) - Acontecimentos estranhos e sinistros ocorridos num vilarejo do norte da Alemanha pouco antes do início da 1a Guerra Mundial formam a base do novo filme do diretor austríaco Michael Haneke, The White Ribbon (A Fita Branca), em exibição no Festival de Cinema de Cannes.

Reuters |

O filme usa um grupo de crianças vivendo num ambiente morbidamente repressor de hipocrisia religiosa e abuso sexual para analisar a geração que criou a Alemanha nazista.

Mas Haneke, cujo último filme em Cannes foi o aclamado "Caché", disse que sua intenção foi ilustrar um problema mais amplo, que afeta não apenas a Alemanha.

"Não quero que o filme seja visto como apenas um filme sobre o fascismo", disse ele em entrevista coletiva à imprensa.

"A intenção foi contar a história de um grupo de crianças que aderem plenamente aos ideais que lhes são pregados por seus pais", disse ele.

"E, sempre que você adere a um ideal em termos absolutos, o torna desumano. Essa é a raiz de qualquer forma de terrorismo", afirmou.

"The White Ribbon" foi aplaudido na sessão para a imprensa e está sendo visto como forte candidato à Palma de Ouro, o prêmio máximo do festival, algo que Haneke ainda não alcançou, apesar de seus muitos trabalhos que foram sucesso de crítica.

O filme começa com um acidente não explicado e então mostra uma série de ocorrências misteriosas que parecem de alguma maneira estar relacionados às crianças do povoado, que o tempo todo se comportam com um misto perturbador de subserviência e sigilo.

Um paiol arde em chamas, crianças desaparecem e são encontradas amarradas e abusadas, e o barão local se envolve numa vendeta com uma das famílias de camponeses que dependem dele.

À medida que a história se desenrola, a crueldade farisaica infligida pelo pastor local a sua família ou a brutalidade de um médico local em relação a sua amante intensificam o clima perturbador de ameaça e culpa que pesa sobre o idílico vilarejo.

Burghart Klaussner, o ator que representa o pastor do povoado, disse que gostou da oportunidade de retratar o tipo de personagem que marcou o mundo de sua própria infância e juventude.

"Fiquei muito feliz por finalmente poder representar o tipo de pessoa cujo impacto - sobre minha família e sobre a sociedade como um todo - eu senti frequentemente na esteira da 2a Guerra Mundial", disse ele.

Haneke rodou o filme em preto e branco e disse que teve muito trabalho para encontrar atores cuja aparência física se adequasse às imagens que sobreviveram em fotos da época.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG