Sobe para 9 o número de mortos por remédio manipulado em Minas Gerais

Suspeita é de que a matéria-prima tenha sido trocada e as pessoas tenham ingerido anti-hipertensivo em dosagem 40 vezes maior

iG São Paulo |

Divulgação
Cápsulas do medicamento suspeito recolhidas pelo governo de Minas
Subiu para nove o número de mortes possivelmente causadas pela ingestão de um medicamento, produzido por uma farmácia de manipulação em Teófilo Otoni, em Minas Gerais, segundo informações da Polícia Civil. O proprietário da Fórmula Pharma, farmácia responsável pela manipulação do Secnidazol 500mg, Henrique Luiz Portilho, deve prestar depoimento às 14h de hoje na cidade, que fica a 430 quilômetros de Belo Horizonte.

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Ainda não há informações sobre a última vítima. Das outras oito pessoas que morreram, duas são de Teófilo Otoni, três de Novo Cruzeiro, uma de Itaipé e duas de Ladainha. As cidades ficam no Vale do Mucuri, a cerca de 400 quilômetros da capital mineira. A Polícia Civil mineira promete exumar corpos de pessoas que ingeriram o medicamento da Fórmula Pharma em busca desvendar o caso. O primeiro óbito relacionado ocorreu no dia 26 de novembro. Um casal permanecia internado em Teófilo Otoni, sendo um deles em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

A principal suspeita é que a matéria-prima do medicamento tenha sido trocada. Segundo a Secretaria de Saúde, pelos sintomas das pessoas que morreram, há possibilidade de elas terem ingerido anti-hipertensivo (metaprolol) em uma dosagem até 40 vezes maior que o indicado. Os sintomas são queda de pressão arterial (hipotensão), batimento cardíaco reduzido (braquicardia), dor no peito, arroxeamento da pele (cianose) e sensação de desmaio.

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“Suspeitamos que a matéria-prima seja de um anti-hipertensivo e com isso tenha havido superdosagem. Normalmente, se toma 50 miligramas deste medicamento, metaprolol. Se for 2 gramas (2 mil miligramas), isso significa 40 vezes mais. A suspeita é de que eram comprimidos de metaprolol, de 500 gramas cada. E geralmente as pessoas ingeriram quatro comprimidos para o tratamento de doenças como candidíase”, explicou o subsecretário de Vigilância e Proteção à Saúde, Carlos Alberto Pereira Soares.

Um exame detalhado em cápsulas apreendidas está sendo realizado, mas não há data para um resultado final. A Fórmula Pharma mantinha estoque de medicamentos manipulados, o que é proibido. Este tipo de procedimento é ilegal porque o remédio, no caso da farmácia de manipulação, é feito sob medida para o paciente. Para manter um estoque, o estabelecimento emitiu remédios em nome de pessoas que já morreram. “Encontramos uma receita em nome de uma pessoa que morreu há quatro meses, mas não podemos dizer que esta pessoa morreu por causa da ingestão de algum medicamento da Rede Pharma”, explicou o subsecretário.

*com AE e informações da reportagem de Denise Motta, iG Minas Gerais

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