Promotores acompanham apuração de mortes de jovem em BH

Moradores acusam policiais de atirarem por engano em 2 pessoas no Aglomerado da Serra, no centro-sul da capital mineira

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Promotores designados para acompanhar a investigação de um duplo homicídio na Vila Marçola, no Aglomerado da Serra, região centro-sul de Belo Horizonte, estudam a possibilidade de pedir a prisão preventiva de policiais militares responsáveis pelos disparos que mataram Jeferson Silva, 17, e seu tio, Renilson Veriano, 31 . O crime ocorreu na madrugada do último sábado. Moradores acusam os policiais de atirarem por engano nas vítimas, enquanto os militares argumentam que foram recebidos a tiros durante uma operação de rotina no local. 

nullTrês soldados e um sargento do Batalhão Rotam (Rondas Táticas Metropolitanas) foram afastados de suas atividades após envolvimento no caso. Hoje, o governador Antonio Anastasia (PSDB) reiterou pedido de agilidade nas investigações, por parte da própria polícia. O governador conversou com moradores do aglomerado nesta terça-feira.

“Acompanhei com muita tristeza os acontecimentos. Primeiro, pela perda de duas vidas, de duas pessoas que, naturalmente, não poderia ter acontecido isso. Não poderíamos jamais imaginar que houvesse mortes de pessoas de bem, como, parece ser, esses dois jovens que morreram no Aglomerado da Serra. A gente tem sempre que evitar esse tipo de acontecimento. O que ocorre, lamentavelmente, é que não podemos, jamais, em razão de um episódio, lançar, digamos assim, uma mancha sobre as instituições, sobre a corporação”, afirmou hoje o governador, em entrevista a uma rádio.

Depois das mortes na madrugada de sábado, dois ônibus foram incendiados. No domingo, moradores entraram em conflito com policiais e uma criança de cinco anos ficou ferida por estilhaços de uma bomba. Duas linhas de ônibus não funcionam no local desde os conflitos no sábado.

Joaquim José Miranda Júnior, coordenador do Centro de Apoio Operacional Criminal do Ministério Público de Minas Gerais, e Rodrigo Filgueira de Oliveira, coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos e Apoio Comunitário, foram designados nesta terça-feira para acompanhar as investigações. De acordo com informações da assessoria de Imprensa do MP, há denúncias sobre o suposto esquema envolvendo policiais do Batalhão Rotam e do 22º Batalhão da Polícia Militar em matanças, agressões, tráfico e consumo de drogas no Aglomerado da Serra.

O procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, Alceu Marques, destacou especial atenção no caso. "A questão é gravíssima e, por si só, recomenda especial atenção do MPMG tanto por parte do promotor de Justiça, que se incumbe naturalmente da área Criminal, como também sob a ótica da proteção dos Direitos Humanos".

Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas, o deputado estadual Durval Ângelo quer a extinção do Batalhão Rotam, segundo ele, alvo de diversas denúncias de abuso de poder por policiais. Além de deputados, do Ministério Público Estadual, das polícias civil e militar, a Ordem dos Advogados do Brasil está acompanhando as investigações das mortes. 

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