Projeto em Belo Horizonte quer proibir camisas de times em boates

Projeto de lei foi aprovado em primeira votação. Torcedores protestam e assessoria de deputado diz que críticas são naturais

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Um projeto de lei que proíbe o uso de camisas de times de futebol em eventos com mais de 300 pessoas causa polêmica em Belo Horizonte. O projeto, de autoria do vereador Reinaldo, conhecido como Preto do Sacolão (PMDB), foi aprovado em segundo turno na última segunda-feira (08), em votação simbólica, com as presenças de 36 dos 41 vereadores. Ele segue nos próximos dias para votação, também simbólica, em segundo turno. Caso seja aprovado novamente, o projeto segue para sanção do prefeito Marcio Lacerda (PSB) para se transformar em lei. Lacerda pode, entretanto, vetar a proposta. A regulamentação tem prazo de 60 dias após a sanção.

George Magaraia
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Pelo projeto, é “proibido o uso de peça de vestuário que ostente símbolo de clube ou de torcida organizada em casas noturnas, boates, danceterias e eventos com grande aglomeração (com estimativa de público superior a 300 pessoas), seja em local público ou privado”. O projeto permite o uso em eventos realizados pelos clubes ou organizações de futebol, mas não deixa claro como se daria a fiscalização e a punição pela violação da lei.

O autor do projeto de lei alega que a medida tem como objetivo reduzir a violência. “Ultimamente, as torcidas organizadas têm levado medo e pavor aos nossos estádios e às ruas da cidade. A família tem deixado cada vez mais de participar em estádios, de sair de casa com o uniforme de seu time do coração, por temer agressões pelas ruas”, alegou o parlamentar na justificativa de apresentação da proposta.

Polêmica

Torcedores de Minas Gerais se manifestaram por meio do Twitter, rede de microblog. O advogado Túlio Viana chamou de “fascismo” a medida: “raras vezes na minha vida eu vi uma lei tão absurdamente inconstitucional quanto esta da proibição do uso de camisas de times em eventos”, postou. Já o advogado Humberto Martins perguntou se era brincadeira: “Não podia bandeira, não pode bebida, agora essa”, escreveu Martins.

Cláudio Henrique da Costa, diretor-geral da torcida organizada Máfia Azul, ligada ao Cruzeiro, vê como positiva a iniciativa, mas ressalta que o problema da violência não está ligada apenas ao vestuário com referência a times. “Violência em boate não acontece só por causa de camisa de time e isso fere um pouco o direito da pessoa. Você vai sair e escolhe a roupa que quiser. Mas se for para evitar violência, essa proibição já acontece em muitos lugares. Fazemos várias viagens e há muitos lugares do País que proíbem também”, afirmou. A Máfia Azul reúne 80 mil torcedores do Cruzeiro.

A Galoucura, torcida organizada do Atlético Mineiro foi procurada, mas ninguém quis se pronunciar sobre o assunto. Representantes de torcidas organizadas do América-MG não foram localizados para comentar o assunto.

O autor do projeto foi procurado para comentar a respeito de manifestações contrárias ao projeto, mas estava participando de reunião plenária na tarde desta terça-feira (09) e comprometeu-se a retornar contato. A assessoria de imprensa dele afirmou considerar natural rejeição ao projeto, uma vez que ele é proibitivo. As críticas, informou a assessoria, poderão ser usadas para aperfeiçoar o projeto por meio de emendas.

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