Professores de escolas particulares em Minas decidem manter greve

Docentes reivindicam aumento de 12%, mas escolas propuseram reajuste de no máximo 7,6%

Denise Motta, iG Minas |

Aline (nome fictício), 17 anos, é estudante do último ano do ensino médio em uma escola da rede particular de Belo Horizonte. Ela pretende prestar vestibular no final do ano, mas nos últimos dias foi surpreendida por uma greve de professores , que prejudicou o andamento normal das aulas. A adolescente prefere não se identificar para não se expor diante dos colegas de classe.

“Não temos informações se teremos aulas ou não. Em alguns períodos estamos tendo aulas com professores substitutos. Fico preocupada porque vou prestar vestibular no final do ano e não sei se vai dar tempo de repor a matéria”, diz. Ela conta também que amigos de outras escolas têm aulas normalmente porque diretores estariam ameaçando professores de demissão, no caso de adesão à greve.

Aline é um dos milhares de estudantes em Belo Horizonte que hoje estão sendo prejudicados por uma greve do sistema particular de ensino, que teve início na última terça-feira. E não existe perspectiva de suspensão da paralisação em curto prazo, porque cerca de 700 professores se manifestaram a favor da continuidade da paralisação em assembleia realizada hoje. Uma outra assembleia será realizada na próxima terça-feira.

Diretor do Sindicato de Professores de Minas Gerais, Aerton Silva diz que ontem a Superintendência Regional do Trabalho sugeriu um aumento de 8,13%. A reivindicação dos professores é 12%, mas a proposta das escolas não passa de 7,6%. Além do reajuste salarial, os professores reivindicam regulamentação da educação à distância, equiparação dos salários da educação infantil ao do ensino fundamental, seguro de vida, mudança na data base, entre outros pontos.

O sindicato dos professores calcula que de 70 a 80 escolas, do maternal ao ensino superior, tenham aderido o movimento integralmente ou parcialmente. Todas estão concentradas na capital. Aproximadamente 700 professores participaram da assembleia realizada hoje, informou também o sindicato.

Dados de escolas paradas, fornecidos pelo Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais, indicam que só haveria sete escolas paradas integralmente e duas parcialmente, somando um mínimo de sete mil alunos prejudicados. “De 80% a 90% das escolas não suportariam o reajuste de 12% porque a inadimplência em alguns casos chega a 30%. A greve foi prematura porque ainda estamos em negociação”, diz o presidente do sindicato das escolas, Emiro Barbini.

Além da assembleia na terça-feira, os professores agendaram para a segunda-feira uma manifestação em frente ao sindicato das escolas particulares, no Barro Preto, região Centro-Sul de Belo Horizonte.

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