Procuradora assassinada é enterrada em Minas Gerais

Família se recusou a falar sobre morte; amigos disseram não entender como o marido, principal suspeito, pode ter cometido o crime

Denise Motta, iG Minas Gerais |

AE
Enterro do corpo da procuradora Ana Alice; imprensa não pode participar
Coberto com pétalas de rosas brancas, o corpo da procuradora federal Ana Alice Moreira de Melo, 35, foi enterrado no começo da tarde desta sexta-feira (03), no Cemitério Bosque da Esperança, região norte de Belo Horizonte. 

Ela foi assassinada a facadas na madrugada de quinta-feira (01). O marido dela, o empresário Djalma Brugnara Veloso, 49, é o principal suspeito do crime.

O corpo de Veloso foi encontrado horas depois do assassinato da procuradora no motel Capri, a 28 km da casa da família, com nove marcas de facadas . A polícia trabalha com a hipótese de suicídio.
Segundo a polícia, a faca utilizada para matar a mulher foi a mesma encontrada perto do corpo do empresário.

A família de Ana Alice pediu privacidade a jornalistas durante o enterro e divulgou um comunicado na porta do cemitério em que a procuradora foi enterrada. A nota de esclarecimento à imprensa e à sociedade, o documento diz que a família preferiu não dar entrevistas a jornalistas sobre o crime para preservar os dois filhos da procuradora e do empresário.

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"Entendemos que essa postura contribui para reflexão da sociedade sobre a violência contra mulher, bem como sobre a violência como um todo. Ana Alice foi mãe, filha, irmã, amiga e profissional exemplar. Acreditamos que essa conduta é a melhor forma de homenagear sua memória e retribuir o seu amor. Contamos com a compreensão de todos", informa o documento.

Grande parte de amigos e familiares preferiu o silêncio sobre o caso, mas alguns comentaram o crime. "Mas é uma coisa que não entra na minha cabeça. O Djalma nunca demonstrou que poderia fazer uma coisa dessas", comentou uma senhora ao acompanhar o velório da procuradora.

Divulgação e Reprodução
O casal Djalma Veloso e Ana Alice de Melo. Ela foi encontrada morta na madrugada de quinta-feira

Uma amiga de Ana Alice aceitou conversar com o iG sobre a procuradora, sob a condição de anonimato. Segundo ela, a procuradora era uma pessoa muito reservada e tinha um futuro brilhante profissionalmente, pois era reconhecidamente competente em seu trabalho.

"Ela era uma pessoa muito doce e reservada também. Não ficava comentando de seus problemas com qualquer pessoa e nunca me disse que estava com problemas no casamento. Apesar disso, percebi que ela já não tinha um brilho nos olhos como antigamente. Acredito que ela estava sofrendo com a separação, especialmente por causa dos filhos", afirmou a amiga de Ana Alice.

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Conforme as investigações da polícia, Djalma ameaçava Ana Alice de morte e chegou a jogar água fervente nela, durante uma discussão. O empresário é de uma família tradicional de Belo Horizonte e sempre teve fama de “rico e bonito”.

Ana Alice e Djalma se conheceram há 19 anos e estavam casados há dez anos. A relação começou a ficar turbulenta por causa de ciúmes e desconfianças de traição das duas partes. A procuradora decidiu se separar há algumas semanas e o empresário, inconformado, chegou a roubar celular, notebooks e pen drive de Ana Alice com documentos pessoais e profissionais.

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