Prefeito que renunciou para evitar cassação pede pensão vitalícia

Alberto Bejani, que esteve à frente de Juiz de Fora, chegou a ser preso pela Polícia Federal, em 2008

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Em meio à polêmica do pagamento de pensões a ex-governadores, o ex-prefeito de Juiz de Fora (a 255 quilômetros de Belo Horizonte), Alberto Bejani, solicitou ontem à prefeitura da cidade pensão no valor de R$ 2.434. Envolvido em denúncias de fraudes, Bejani completou 60 anos e tem direito ao benefício vitalício graças à lei 5.073. Ele foi prefeito de 1989 a 1993 e de 2005 a 2008.

Outros dois ex-prefeitos da cidade recebem o benefício, Saulo Pinto Moreira e Tarcísio Delgado. Mas o caso de Bejani chama a atenção porque ele é suspeito de cometer diversas irregularidades quando esteve à frente da administração em Juiz de Fora. Ele chegou a ser preso pela Polícia Federal em 2008, por envolvimento em um esquema de desvios de dinheiro público. Foco de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), Bejani renunciou em 16 de junho de 2008, antes de ter seu mandato cassado pelos vereadores de Juiz de Fora.

A polícia encontrou R$ 1,1 milhão em dinheiro na casa do ex-prefeito. Bejani foi denunciado pelo Ministério Público Estadual de Minas Gerais por crime de improbidade administrativa, após investigações das operações “Pasárgada” e “De volta para Pasárgada”, da Polícia Federal.

A lei 5.073 foi criada durante a gestão de Saulo Moreira, que foi prefeito entre 1975 e 1976. O vereador Isauro Calais (PMN) tenta acabar com o benefício e seu projeto para vetar as pensões deve ser votado neste mês. A prefeitura de Juiz de Fora tem um mês para avaliar o pedido de pensão feito por Bejani. Caso o projeto de Calais seja aprovado antes da análise, o ex-prefeito não mais terá direito aos R$ 2.434 de aposentadoria.

Saulo Moreira e Tarcísio Delgado continuarão recebendo a pensão, independentemente de o projeto do vereador ser aprovado ou não. Segundo Calais, a suspensão não tem efeitoretroativo sobre os que já recebem o benefício.

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