Policiais são afastados após operação em favela de Belo Horizonte

Policiais e moradores do Aglomerado na Serra entraram em confronto após a morte de duas pessoas em operação no fim de semana

Denise Motta, iG Belo Horizonte |

O secretário de Estado de Defesa Social de Minas Gerais, Lafayette Andrada, informou na tarde desta segunda-feira que foram afastados os policiais militares envolvidos em uma ação no Aglomerado na Serra, região centro-sul de Belo Horizonte, no último sábado. O confronto resultou na morte de um jovem, de 17 anos, e de seu tio, de 31. Três ônibus foram queimados na região durante o final de semana e uma criança de cinco anos acabou ferida por estilhaços de uma bomba no domingo.

nullTrês soldados e um sargento do Batalhão Rotam (Rondas Táticas Metropolitanas) faziam policiamento de rotina na madrugada de sábado e, conforme informações preliminares, teriam sido recebidos a tiros por um grupo de 10 a 12 pessoas. O Inquérito Policial Militar (IPM) para investigar a ação dos militares tem prazo de término em 40 dias, prorrogáveis por mais 20. As armas utilizadas na ação foram apreendidas, mas o governo de Minas Gerais não detalhou quais tipos de armas foram utilizadas.

O tenente-coronel Alberto Luiz afirmou que foram encontradas fardas, aparentemente do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) e da Polícia Militar com as vítimas baleadas na ação. Jeferson da Silva, de 17 anos, e Renilson Veriano da Silva, de 31, baleados e mortos por militares teriam sido assassinados por engano de acordo com o governo mineiro. Segundo o tenente-coronel, as vítimas estavam carregando as fardas em um pacote e isso será investigado. Questionado sobre a falta de sangue das vítimas nas fardas, ele alegou que também haverá investigação. Moradores dizem que as fardas não estariam com as vítimas e que a acusação é apenas para desviar o foco das investigações.

Além da ação na madrugada de sábado, dois ônibus foram incendiados. No domingo, policiais do Gate teriam sido recebidos a pedradas por moradores e, ao chamar reforço, iniciou-se um novo conflito. Mais um ônibus foi incendiado.

Hoje pela manhã, moradores fizeram uma manifestação para cobrar justiça no caso. Duas escolas não funcionaram no Aglomerado da Serra. Uma porque as chamas do ônibus queimado danificaram a fiação e o local ficou sem energia elétrica. A outra teve as aulas interrompidas porque o jovem assassinado era estudante.

Alberto Luiz alegou que as investigações estão em fase preliminar e que serão apuradas denúncias de moradores envolvendo a Polícia Militar de Minas. Entre elas, está a de que militares estariam envolvidos com tráfico na região e cobravam propinas de traficantes para não atrapalhar o comércio de drogas.

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