Polícia suspeita que sequestradora de Minas seja 'viúva negra'

Investigações revelam que mulher acusada de 2 sequestros e suas irmãs adotavam ilegalmente crianças e casavam com policiais - que depois morriam. Elas herdavam pensões

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Uma trama de sequestro, falsificações de documentos e assassinatos envolvendo uma família em Minas Gerais começa a ser desvendada pela Polícia Civil do Estado.

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Na semana passada, a polícia descobriu que Neli Maria Neves e seu companheiro, o cabo reformado da Polícia Militar Jair Narcizo de Lacerda, sequestraram uma menina de 7 anos em Contagem e a registraram no nome deles. Quando Neli foi presa, mais duas surpresas: Neli tinha registrado ilegalmente em seu nome, há 23 anos, um menina e também fora condenada por outro crime, pela morte do ex-marido. 

AE
Dona de casa Neli Maria Neves, de 53 anos, suspeita de sequestros em Minas Gerais, no dia da sua prisão, no dia 17 de agosto deste ano
As investigações continuaram e, nesta quarta, a polícia revelou que investiga duas irmãs de Neli. Segundo a Polícia Civil, as três irmãs tem três características em comum: se casam com policiais e vigias, adotam crianças ilegalmente e depois os seus companheiros aparecem mortos, deixando para elas e para as crianças pensões e beneficios. As três irmãs passaram a ser chamadas de "víuvas negras" - em referência à espécie de aranha que mata o marido após a relação sexual.

Neli foi condenada há mais de 30 anos pela morte de um ex-companheiro. Outras duas irmãs também tiveram os maridos assassinados e adotaram crianças ilegalmente. A polícia suspeita que as irmãs atraiam os policiais e depois os matavam para ficar com os benefícios vitalícios. Nesse caso, a adoção de crianças seria uma maneira de acumular pensões. 

Os sequestros

Pelos crimes de sequestro, cárcere privado e falsificação de documentos públicos, Neli e seu companheiro podem ficar presos de cinco a 14 anos. Outros dois irmãos de Neli envolvidos no desaparecimento da menina de 7 anos podem ser presos de um a cinco anos por falsidade ideológica. Neli, que já está presa preventivamente, foi indiciada pela polícia pelo cárcere privado da menina sequestrada há 23 anos. Por este crime, Neli pode ficar presa de um a três anos.

A garota, hoje, com 25 anos, seria prima de Neli e a mãe dela já estaria morta. Ela está sob cuidados da Justiça. A polícia mineira ainda procura desvendar as circunstâncias em que ela vivia com Neli. Durante a investigação, foram apreendidos documentos de compra e venda de um imóvel, assinados pela jovem. Ela também estaria sendo usada para atrair um policial, de 84 anos, a um suposto golpe arquitetado pelo casal que a criou. A criança de 7 anos foi devolvida à família dias após o retrato falado ter sido divulgado.

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