Polícia matou por engano e agora mente, dizem moradores de favela

Comunidade de Belo Horizonte diz que vítimas foram "covardemente assassinadas", e governo do Estado afasta policiais

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Moradores da Vila Marçola, localizada no Aglomerado da Serra, favela de Belo Horizonte onde confronto entre a Polícia Militar de Minas Gerais e moradores resultou na morte de Jeferson Silva, 17 anos, e seu tio, Renilson Veriano, de 31 , afirmam que as vítimas foram executadas por militares na madrugada de sábado. Jeferson era estudante e seu tio era enfermeiro.

nullIrmão de Renilson e tio de Jeferson, o agente de combate à dengue da Prefeitura de Belo Horizonte Jailson Veriano, de 30 anos, diz que o sobrinho viu o tio ser morto por engano e acabou executado. “Falaram que teve troca de tiro, mas a verdade é que eles estavam voltando para casa e foram covardemente assassinados. Sempre acontece abuso de poder. Não podemos generalizar a polícia, mas as pessoas do morro estão revoltadas”, desabafa o parente das vítimas.

Nesta segunda, o secretário de Estado de Defesa Social de Minas Gerais, Lafayette Andrada, informou que foram afastados os policiais militares envolvidos na ação.

Morador da comunidade, David Lacerda Laje, manobrista, diz que a revolta é maior porque inicialmente foi divulgado que as vítimas assassinadas pelos militares eram bandidos. “O pai do rapaz assassinado é do mesmo batalhão dos policiais que mataram seu filho. Ele está envergonhadíssimo. Ninguém incitou as pessoas a colocarem fogo nos ônibus, mas foi uma forma de chamar atenção para os abusos”, disse, referindo-se ao cabo Denilson Veriano da Silva, pai de Jeferson e irmão de Renilson.

Um outro morador, que preferiu não se identificar, disse que Renilson e o sobrinho foram assassinados por volta de 2h30 de sábado. “Os policiais estavam atrás de um traficante e mataram o Renilson por engano. O Jeferson viu e pediu para os policiais não atirarem. Os policiais mandaram ele deitar no chão e atiraram nele. Ele foi executado porque viu o tio morrer”, disse o rapaz, que ouviu, na noite do confronto, tiros de fuzil e questiona o fato de fardas da PM supostamente encontradas com as vítimas não estarem sujas de sangue.

Alexandre Ribeiro, 32 anos, do “Movimento Paz na Serra”, considera o assassinato de Jeferson e de seu tio como uma crueldade que não pode ficar impune. “Cabeças vão rolar. O que houve foi uma barbaridade, um duplo homicídio. Sabemos que no meio do cacho de banana tem sempre uma podre, no caso dos policiais. É uma falta de preparo da polícia”, afirma ele.

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