'Tudo leva a crer que houve execução', diz delegado sobre morte de sem-terra

Três trabalhadores rurais foram assassinados neste sábado em Uberlândia e uma criança presenciou o crime

iG São Paulo |

A Polícia Civil investiga o assassinato de três trabalhadores integrantes do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) – movimento criado em 1994 como dissidência dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O crime ocorreu na manhã de sábado (24) às margens da MG-455, rodovia próxima a Miraporanga, distrito de Uberlândia, em Minas Gerais. Uma criança presenciou os assassinatos . Valdir Dias Ferreira, de 39 anos, Milton Santos Nunes da Silva, de 52, e Clestina Leonor Sales Nunes, de 48, foram mortos a tiros

Em entrevista concedida nesta segunda-feira (26), o delegado do 9º Departamento de Polícia Civil, Samuel Barreto de Souza, disse que a polícia trabalha com duas linhas investigativas, mas que não podem ser reveladas. “Tudo leva a crer que houve uma execução”. Um inquérito policial foi instaurado e a Delegacia de Homicídios é responsável pelo caso.

Acompanhada de um psicólogo, a criança disse, em depoimento, que quatro homens em um veículo prata mandaram parar o carro. Segundo ela, apenas um homem atirou contra Valdir, Milton e Clestina.

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Segundo a direção do MLST, o crime pode estar ligado à disputa pela fazenda São José dos Cravos, no município de Prata, onde há um acampamento da entidade. Milton e Clestina já haviam sido beneficiados com um lote em um assentamento, mas continuavam vivendo na área invadida. Uma usina de beneficiamento de cana-de-açúcar recorreu à Justiça pedindo a reintegração de posse da área, que teria sido arrendada. No último dia 8, foi realizada uma audiência para tentativa de conciliação, mas não houve acordo.

Já a Polícia Militar informou que há denúncia de que havia atrito entre os sem-terra pela liderança do movimento, hipótese também em apuração. Para o frei Gilvander Moreira, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), é preciso agilizar as investigações para que "os jagunços e mandantes sejam presos, julgados e condenados".

O MLST divulgou nota nesta segunda em protesto contra a suspeita da PM. A nota afirma que, por causa da situação de tensão entre proprietários e sem-terra na região do Triângulo Mineiro, pelo menos outros três integrantes - Ismael Costa, Robson dos Santos Guedes e Vander Nogueira Monteiro - estariam "na lista de morte".

* Com informações da Agência Brasil e da AE

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