PM indicia 12 policiais envolvidos com mortes em favela de BH

Eles são suspeitos de participar do assassinato de dois moradores do Aglomerado da Serra, o que culminou numa onda de protestos

Denise Motta, iG Minas Gerais |

A Polícia Militar de Minas Gerais informou que 12 policiais foram indiciados por envolvimento nas mortes de duas pessoas no Aglomerado da Serra, um conjunto de favelas na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Jefferson Coelho Silva, de 17 anos, e seu tio, Renilson Veriano da Silva, de 39 anos, foram assassinados durante uma operação da Polícia Militar na madrugada do dia 19 de fevereiro.

Eles foram mortos a tiros e não tinham envolvimento nenhum com crimes. Segundo os moradores, eles foram executados pela polícia. Segundo a primeira versão da PM, os policiais teriam sido recebidos a tiros durante um policiamento de rotina na madrugada.

Depois do crime, os moradores da favela fecharam as ruas do Aglomerado em protesto contra a morte das duas pessoas (veja vídeo ao lado).

Da viatura que abordou as vítimas foram indiciados três militares pela prática dos crimes de homicídio, falsidade ideológica e prevaricação. De outras viaturas que estiveram no local logo após os assassinatos, dois militares foram indiciados por falsidade ideológica e prevaricação e outros sete foram indiciados por prevaricação.

Prevaricação é o crime cometido por funcionários públicos (como os policiais). Ele se caracteriza por deixar de cumprir (ou atrasar) suas funções, prejudicando a administração pública, para satisfazer seus próprios interesses.

A Justiça não divulgou detalhes sobre o inquérito - incluindo os motivos pelos quais os policiais podem responder por esses crimes.

Ainda de acordo com a PM mineira, o inquérito policial militar será encaminhado à Justiça Militar Estadual nesta quarta-feira (16).

Quatro policiais militares foram afastados de suas funções por envolvimento nos assassinatos e depois acabaram presos. Um deles, o cabo Fábio de Oliveira, foi encontrado morto em sua cela, uma semana após os assassinatos no Aglomerado da Serra.

Advogado de defesa de policiais indiciados, Ricardo Guimarães disse que o indiciamento não significa que o Ministério Público acate e denuncie os suspeitos de envolvimento nos assassinatos. “O processo foi muito rápido e se o promotor achar que não tem subsídios para avaliar o caso o inquérito pode voltar e haver uma investigação mais detalhada”, observa Guimarães.

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