Manifestantes dizem ser vítima de preconceito e defendem amamentação em público

Belo Horizonte realizou na manhã deste domingo (05) seu primeiro "mamaço", em defesa da amamentação em público. O evento ocorre em diversas capitais do País e, em Minas, aconteceu no tradicional Parque Municipal Américo Renné Giannetti, no centro de Belo Horizonte. Aproximadamente 40 mães e bebês participaram do mamaço organizado pela jornalista e blogueira Kalu Brum.

Uma foto dela, na qual amamentava o filho Miguel, foi censurada pelo Facebook, que entendeu o conteúdo da imagem como pornografia e a convidou a se retirar da rede social, no dia 11 de maio deste ano. “Escrevi o caso no meu blog e aconteceu o que chamei de mamaço virtual, quando diversas mães postaram fotos amamentando seu filhos no Facebook”, lembra.

Letícia, de 19 anos, participou do mamaço
iG
Letícia, de 19 anos, participou do mamaço
A data para promoção do mamaço em diversas capitais do Brasil, o Dia do Meio Ambiente, não aconteceu por acaso, conta Kalu. “Amamentar é um ato ecológico porque com a amamentação deixamos de usar chupeta e mamadeira, evitando danos ao meio ambiente.” A jornalista diz ter sofrido preconceito por amamentar o filho no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, quando preciso, por problema mecânico na aeronave, pernoitar no local. “Duas mães sentaram ao meu lado, com seus filhos, e disseram ter pena de mim por amamentar meu filho, de um ano e meio, em público. Olhei para as crianças delas, vi que estavam de chupeta e rebati: eu tenho pena dos seus filhos que trocaram o ato de amamentação por chupetas”.

Mãe de duas crianças, a estudante de Biologia Carolina Giovannini, 26 anos, acredita que haja um preconceito maior com a mãe que amamenta um filho maior. A filha mais nova dela, Lila, com dois anos, ainda mama, o que gera protestos de familiares. “Muitos dizem que ela precisa desmamar porque senão vai ficar muito apegada, mas ela é super independente. Cada mãe tem um leite perfeito para o seu bebê e a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que o bebê seja amamentado até pelo menos dois anos”, diz Carolina, que amamentou Ravi, 4 anos, seu outro filho, até quando ele tinha um ano e três meses.

Outra mãe que se diz vítima de preconceito é a empresária Denise Vieira Furtado de Garcia e Castro, 30 anos. “As pessoas me perguntam até quando eu vou amamentar e eu respondo que será até os 18 anos, porque assim param de falar. O preconceito vem em forma de questionamentos. Acham que porque o bebê já fala, não pode mais mamar, o que é uma bobagem”, destaca ela, amamentando a filha única, Catarina, de um ano e onze meses.

Outra participante do mamaço, a estudante Letícia Oliveira Moraes Starling, 19 anos, contou ao iG não ter qualquer problema em amamentar seu filho único, o pequeno Eduardo, de cinco meses e meio. “É de uma hipocrisia tremenda as pessoas criticarem a amamentação em público, um ato de amor, sem erotismo nenhum, enquanto no Carnaval não há problema nenhum com a exposição da nudez”, reclama a jovem.

A jornalista Kalu Brum, na foto que abriu polêmica com o Facebook
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A jornalista Kalu Brum, na foto que abriu polêmica com o Facebook
Letícia afirma que geralmente pessoas mais velhas estranham o fato de ela amamentar dentro de um ônibus coletivo, por exemplo. “Existe um falso pudor porque é normal ver nudez na novela, por exemplo. Temos que lutar para mudar esta realidade. Se eu não me alimento no banheiro, porque meu bebê deveria se alimentar no banheiro?”, questiona a mãe de Eduardo.

Na tentativa de explicar toda polêmica em torno da amamentação em público, a jornalista Kalu diz que após a revolução sexual promovida pelas mulheres na década de 1960, houve uma certa abdicação das mães em amamentar e cuidar sozinhas de seus filhos para trabalhar fora. “Quando a mulher vai trabalhar fora, com a mamadeira, cria-se a ideia de que qualquer um pode cuidar de uma criança. A mulher deixou de amamentar em público e isso hoje está sendo resgatado, pois elas têm coragem de criar seus filhos sozinhas”, avalia.

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