Moradores de rua são envenenados em Belo Horizonte

No domingo, sete homens e uma mulher tomaram cachaça misturada a veneno para ratos, foram hospitalizados, mas não correm risco

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Denise Motta/iG
Anael Dias da Silva, um dos moradores de rua envenenados
Moradores de rua foram envenenados no bairro Santa Amélia, região da Pampulha, em Belo Horizonte, neste domingo (15). E não foi a primeira vez.

No domingo pela manhã, sete homens e uma mulher tomaram cachaça misturada a veneno para ratos, foram hospitalizados e não correm risco de morrer. O delegado Felipe Cordeiro, responsável pelo caso, busca identificar quem deixou a garrafa com a bebida na praça. Ele afirmou que as penas para cada crime de tentativa de homicídio varia de 12 a 30 anos. O local onde aconteceu o crime é o bairro Santa Amélia, região de classe média de BH.

Segundo o delegado, existem reclamações de moradores sobre os catadores de papel, mas não é possível dizer se a tentativa de homicídio partiu de um deles. O delegado destacou que, como a maioria dos moradores da praça é alcoólatra, o método utilizado para matá-los foi uma “isca perfeita”. A garrafa com veneno misturado à cachaça foi deixada na madrugada de domingo na praça e foi consumida pela manhã.

Nós achamos a garrafa e bebemos. Depois de cinco a dez minutos todo mundo começou a passar mal, um por um. Feio mesmo, dor forte, e todo mundo foi internado"

Cordeiro afirmou ainda que uma outra tentativa de envenenamento ocorreu há alguns meses, quando foi deixada na Praça Iron Marra, onde ficam os moradores de rua, uma marmita com comida envenenada. Como eles já haviam se alimentado, não comeram. Três cães morreram após ingerir a comida. “Parece ser uma revanche. É um crime de ódio”, afirmou o delegado. A polícia vai coletar impressões digitais na garrafa para tentar identificar quem a deixou dentro de um carrinho de coleta de ferro velho.

"Achamos a garrafa e bebemos"

De 9 pessoas que moram na praça, apenas Warlei dos Santos, de 35 anos, não ingeriu a bebida.“De vez em quando a gente bebe uma cachaça e, graças a Deus, eu não bebi. Eu vi eles passando mal, logo de manhã. Joguei a pinga fora e guardei a garrafa. A população ligou para o serviço de emergência e eles foram socorridos”, contou Santos ao iG . Depois de se desentender com seus pais e oito irmãos, Santos se firmou na praça  “Eu trabalhava em uma lavanderia e pagava aluguel. Cada família tem os seus atritos e eu me desentendi com a minha. Minha rotina é sair de manhã com um carrinho para catar latinhas”, conta ele.

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Warley dos Santos foi um dos poucos que não beberam: "Joguei a pinga fora e guardei a garrafa"
Anael Dias da Silva, 31 anos, mora há dois anos na praça e foi um dos moradores de rua envenenados. Ao iG , Silva contou como foi o episódio. "Nós achamos a garrafa e bebemos. Depois de cinco a dez minutos todo mundo começou a passar mal, um por um. Feio mesmo, dor forte, e todo mundo foi internado", disse ele. "Eu bebi pouco. Só senti um gosto amargo e depois uma forte dor abdominal, vômito e tonteira, tudo que você pode imaginar de ruim. Mas graças a Deus a gente conseguiu sair dessa", diz ele.

Silva diz que não entende as razões do crime. Ele conta que nunca teve problemas sérios com os moradores nem acredita em vingança pessoal: "Não é, porque senão não era para todo mundo".

Os moradores e comerciantes do bairro Santa Amélia evitaram comentar o caso com jornalistas. Uma comerciante disse que os moradores de rua do local “causam problemas, mas prefere não comentar”. Ela também disse que é frequente o consumo de álcool. Um morador do Santa Amélia, que também preferiu não se identificar, como a comerciante, disse que o maior problema é o consumo de cachaça. Ele contou que há poucas semanas homens de fora da região estiveram na praça e um dos moradores de rua do bairro apareceu ferido, aparentemente por um soco. “Eu acredito que este envenenamento foi por desentendimentos deles com outras pessoas de fora da região”, contou ela.

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