Justiça suspende "festa do beijo" de adolescentes de BH

Destinado a adolescentes de 12 a 17 anos, evento dava prêmio a menina que mais beijasse em uma noite

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Uma premiação para a adolescente que mais beijar em uma festa em Belo Horizonte provocou intervenção judicial na capital mineira. Folhetos distribuídos em escolas convidavam para uma festa na qual os meninos, ao entrar, ganhariam colares. Quando beijasse uma menina, deveriam dar um dos colares para ela. Ao final da festa, a adolescente que mais tivesse colares ganhava o prêmio: um ingresso pra um evento de axé. A festa, na região centro-sul, estava marcada para este sábado (09), mas acabou cancelada por determinação de um juiz da Vara de Infância e da Juventude da cidade.

Divulgação
Cartaz que promove a festa de adolescentes em Minas Gerais
Voltada para adolescentes de 12 a 17 anos, a festa Aquecimento Axé Brasil Teen incentivaria beijos e distribuiria gratuitamente refrigerante, água, pulseiras, pirulitos e os colares. Os ingressos, vendidos apenas na porta do local, custariam R$ 15 para meninas e R$ 20 para meninos.

Entidades da área médica em Minas reagiram à promoção do evento. A Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais, a Associação Médica e a Sociedade Mineira de Pediatria encaminharam cartas repudiando a realização da festa para a Vara de Infância e da Juventude, o Ministério Público e a Rede de Atenção à Saúde da Criança e do Adolescente (vinculada à secretaria municipal de Saúde).

Um estudante de apenas 11 anos recebeu a propaganda para a festa promovida pelo Club Neon Folia e mostrou ao pai, membro da Associação de Ginecologistas e Obstetras do Estado. O pai levou o folheto para a associação e os dirigentes resolveram tomar medidas para proibir a festa. Sabendo da situação, outras entidades médicas apoiaram a intervenção.

“Este tipo de festa incentiva um comportamento promíscuo de menores e nós, da associação, não concordamos com isso. Ficamos extremamente preocupados porque este tipo de evento banaliza o sexo e as relações pessoais. Era uma festa exclusiva para o público de 12 a 17 anos. Isso é muito grave”, afirmou o vice-presidente do Comitê de Ginecologia Infanto Puberal da associação de ginecologistas, Geraldo Diniz.

Um dos organizadores do evento, Rafael Dias, 20 anos, alegou que houve um erro de impressão na mensagem da propaganda. “Tudo não passa de um mal entendido. Não tivemos intenção de incentivar promiscuidade. Na verdade, queríamos colocar a mensagem de que a menina que ficasse mais tempo com um menino ganharia o prêmio”, alegou. Rafael Dias também garantiu que a festa não vai mais ocorrer.

O juiz da Vara de Infância e de Juventude de Belo Horizonte, Marcos Flávio Lucas Padula, determinou a suspensão da festa no final da tarde desta sexta-feira (08), sob pena de multa de R$ 20 mil. A decisão do juiz acatou pedido do Ministério Público de tutela antecipada para interdição do evento. “A exacerbação do sexo, em detrimento de qualquer outro tipo de sentimento, agrava o já desmedido desregramento da juventude na sociedade atual”, destacou o juiz em seu despacho.

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