Juiz manda policiais a júri popular por "execução sumária" em BH

Em fevereiro, operação no Aglomerado da Serra terminou com dois moradores mortos. Assassinato provocou onda de protestos na favela

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Uma execução sumária. Foi desta forma que o juiz do Tribunal do Júri da comarca de Belo Horizonte Guilherme Queiroz Lacerda considerou os assassinatos de dois moradores de uma favela na capital mineira . Jeferson Coelho da Silva, de 17 anos, e seu tio, Renilson Veriano da Silva, de 39, morreram baleados na madrugada do dia 19 de fevereiro deste ano, após uma operação policial no Aglomerado da Serra, região centro-sul da cidade.

Entenda o caso: Em fevereiro, policiais mataram duas pessoas em uma favela em BH

Agência Estado
Policiais ocupam Aglomerado da Serra, favela de Belo Horizonte onde dois homens foram mortos por policiais, em fevereiro deste ano. A morte provocou revolta dos moradores

As mortes provocaram uma onda de protestos de moradores . Os policiais militares Jonas David Rosa e Jason Ferreira Paschoalino, ambos soldados, são acusados pelo Ministério Público de executar as vítimas sem qualquer motivo. O garoto, conforme o Ministério Público, teria sido executado porque viu o tio ser assassinado.

O juiz determinou que os policiais sejam levados a júri popular por homicídio duplamente qualificado contra as duas vítimas. Eles foram acusados e serão julgados ainda por posse irregular de dois revólveres com numeração raspada, que teriam “plantado” no local dos acontecimentos para justificarem o ataque realizado, de acordo com informações da assessoria de imprensa do Fórum Lafayette.

O iG entrou em contato com os advogados dos dois acusados pelo crime. O advogado de Rosa, Agnaldo José de Aquino Gomes, não quis dar entrevista sobre o caso. Já Ricardo Gil de Oliveira Guimarães defende Paschoalino e avisou que irá recorrer da denúncia com o chamado recurso em sentido estrito.

Este tipo de recurso foi o mesmo utilizado pela defesa do ex-goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes de Souza , acusado de envolvimento no desaparecimento de sua ex-amante Eliza Samúdio. Na prática, o recurso serve para questionar todo o processo de investigação. No caso de Bruno, o juri popular foi mantido.

“Eles (policiais) não negam que tenham efetuado os disparos. O que os policiais dizem é que houve um confronto com pessoas do bonde (gíria utilizada por grupos envolvidos em crimes). Existe uma testemunha no inquérito militar que disse sobre a existência desse bonde”, destacou o advogado Guimarães.

Ele ainda disse que uma testemunha afirmou durante o inquérito ter visto os assassinatos à queima-roupa, mas laudos nos corpos das vítimas indicariam que os tiros foram disparados a longa distância. O advogado aposta em contradições durante a apuração. Por exemplo, o número de tiros ouvidos por testemunhas. Algumas dizem ter ouvido vários tiros, enquanto a que supostamente presenciou os assassinatos diz ter ouvido apenas três disparos, contou o defensor do policial. “Vamos recorrer, pois foi uma ação legítima”, diz ele.

Um outro policial envolvido nas mortes morreu no dia 25 de fevereiro. De acordo com o governo de Minas Gerais, o cabo Fábio Oliveira, de 45 anos, suicidou-se com o cordão de seu short durante a madrugada e foi encontrado morto pela manhã.

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AE
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