Instituto de biologia da UFMG tem falta de água e coleta de lixo

Centro é referência no País, mas está com infraestrutura precária

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Celeiro cientifico que acumula descobertas relevantes para o Brasil, o Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte, está em situação precária. Nas últimas semanas, pesquisadores, professores, alunos e funcionários convivem com constante falta de água no prédio de 48 mil metros quadrados na região da Pampulha, prejudicando as pesquisas. Além disso, o sistema de coleta de lixo é deficiente.  Tomaz Aroldo da Mota, diretor do instituto, explica. “Temos uma empresa que recolhe o lixo, mas ela às vezes fica três dias sem ir à universidade", conta.

Denise Motta/iG
Água suja que sai pela torneira do instituto
Recentemente, o governo federal liberou R$ 8 milhões para uma reforma da fachada do instituto. O diretor conta que a aprovação da obra vem da gestão passada. “Quando chegamos, não pudemos mudar isso. Pode parecer que é uma coisa de fachada, apenas de aparência, mas esta reforma inclui a troca do telhado que foi danificado há dois anos por chuva de granizo. Então, quando chove, temos várias goteiras”, explica ele, que diz que a situação vai se resolver em breve.

"É preciso paciência e compreensão porque na administração pública não temos a mesma agilidade de empresas privadas. Faltou manutenção e prevenção ao longo da história e um problema crônico, em algum momento, se torna agudo”, afirma Mota, referindo-se à ruptura e entupimento inesperados de canos que levam à falta de água no prédio.

O diretor do instituto diz ainda que é preciso uma reforma completa em toda infraestrutura hidráulica do prédio, que possui aproximadamente 35 anos. Para a reforma, são necessários R$ 50 milhões. Parte dos recursos estariam garantidos, mas o montante não foi informado pela UFMG. O iG entrou em contato com o Ministério da Educação (MEC), que não se pronunciou sobre o caso.

O instituto

A Coordenação de Aperfeiçoamento Pessoal de Nível Superior (Capes) divulgou no ano passado um exemplar diagnóstico de cursos oferecidos pelo ICB, englobando o período de 2001 a 2009. O curso de Ciências Biológicas com ênfase em Fisiologia e Farmacologia recebeu 7, nota máxima concedida pela Capes, pois oferece doutorado “com desempenho equivalente ao de importantes centros internacionais de ensino e pesquisa que mostrem alto nível de inserção mundial”.

O curso de Bioquímica e Imunologia também recebeu 7, enquanto o de Microbiologia recebeu 6, enquadrado na mesma categoria de elite da pesquisa no Brasil. A nota mínima recebida por cursos do ICB foi 5, o que representa “alto nível de desempenho, sendo o maior conceito admitido para programas que oferecem apenas mestrado”.

Um medicamento contra hipertensão foi patenteado na China em 2009. Este mesmo medicamento, fruto de estudo entre pesquisadores do Instituto de Ciências Exatas e de Fisiologia e Biofísica do ICB, já tem patente no Canadá, Estados Unidos, Índia e Japão. Quem liderou os estudos pelo ICB foi o professor Robson Augusto Souza dos Santos.

Também foi no ICB, no ano 2000, descoberto o interferon, uma proteína para ser usada no tratamento de alguns tipos de tumores, infecções virais e parasitárias. A substância inédita descoberta pela equipe do pesquisador Paulo César Peregrino, foi patenteada pela UFMG em novembro de 2000, nos Estados Unidos.

O ICB possui 2.800 alunos de graduação e 744 de pós-graduação, distribuídos em 10 departamentos. Criado em meados da década de 1970, o instituto reúne anualmente 206 trabalhos de produção científica e já formou mais de 40 mil alunos. O ciclo básico reúne 12 cursos, o mestrado possui 10 programas e o doutorado, sete.

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