Farmácia trocou princípio ativo e fez remédio fatal, diz governo

10 pessoas morreram em Minas porque farmácia de manipulação vendeu remédio para hipertensão como medicamento para candidíase

Denise Motta, iG Minas Gerais |

A Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais confirmou nesta quinta-feira (22) que o medicamento manipulado responsável pela morte de 10 pessoas continha como princípio ativo um anti-hipertensivo .

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O remédio foi manipulado pela farmácia de manipulação Fórmula Pharma, de Teófilo Otoni, a 455 quilômetros de Belo Horizonte. Exame da Fundação Ezequiel Dias (Funed) identificou a presença do anti-hipertensivo Anlodipina Besilato. As cápsulas, entretanto, eram comercializadas como sendo de Secnidazil, utilizado para tratar doenças como candidíase , uma infecção por fungos da membrana mucosa da boca e da língua.

Divulgação
Cápsulas do medicamento suspeito recolhidas pelo governo de Minas
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O secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, Antônio Jorge de Souza Marques, lamentou mais uma vez as mortes. “Estamos muito consternados, nos solidarizamos com as famílias que sofreram com a perda dos seus entes queridos. Mas queria deixar claro que fizemos todos os esforços para conduzir este episódio com o máximo de transparência. Agora, o problema se torna um caso de polícia, porque tivemos a clareza do erro técnico grave”.

Conforme a secretaria, as amostras do medicamento foram coletadas pela Vigilância Sanitária e pela Polícia Civil na casa de pacientes. A análise foi dividida em duas etapas.

"Na primeira, foi pesquisada e não identificada a presença do antiparasitário Secnidazol. Na segunda, a equipe técnica pesquisou a presença de outro insumo farmacêutico, tendo sido constatada a presença do anti-hipertensivo", informou o governo mineiro. Agora, a Funed irá analisar a quantidade de hipertensivo em cada cápsula. O laudo deve ficar pronto em 30 dias. A investigação do caso também prevê a exumação de corpos de vítimas do medicamento.

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