Família de Pedro Arthur corre para tentar conseguir marcapasso

Menino de 8 anos precisa de aparelho para viver. Ele ganhou direito na Justiça, mas está há 20 dias sem notícia de quando o terá

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Arquivo pessoal
O sorriso de Pedro Arthur
O menino Pedro Arthur, de oito anos, está ansioso para finalmente poder respirar sozinho, sem a ajuda de aparelhos.

Entenda o caso: Com liminar, menino terá cirurgia inédita em crianças no Brasil

Vítima de meningite, o garoto conseguiu na Justiça o direito de realizar, às custas do Estado, uma cirurgia para a colocação de um marcapasso diafragmático. Ele será a primeira criança da América Latina a passar pelo procedimento graças à decisão do desembargador Dárcio Lopardi Mendes, que foi comemorada com muito choro pelo pai do menino, Rodrigo Diniz.

A liminar abre precedente para outras pessoas em situação semelhante, já que este tipo de cirurgia é nova no Brasil.

Porém, mais de 20 dias se passaram desde que a decisão judicial foi tomada e a cirurgia ainda não tem data marcada. Após a Justiça ser acionada, a liminar demorou apenas dois dias para ser concedida a favor da criança.

Ação do governo de Minas

Agora, um embargo de declaração proposto pelo Estado de Minas Gerais deixa Diniz novamente apreensivo. Com as frequentes mudanças climáticas, o pequeno Artur está com princípio de pneumonia. Como possui as vias respiratórias muito expostas, é alto o risco de infecções. Pai e filho estão ansiosos pela realização da cirurgia.

“O juiz foi muito sensato, pois sabe que esta oportunidade abre um precedente para milhares de pessoas. Se uma atitude rápida não for tomada, vou perder meu filho. Ele corre o risco de morrer 24 horas por dia”, lamenta o pai de Pedro Arthur, que criou um instituto para ajudar crianças que, como seu filho, contraíram meningite em sua forma mais agressiva. Desde quando tinha um ano e meio, Pedro Arthur é tetraplégico, mas frequenta a escola, nunca repetiu o ano e gosta de futebol, apesar da má fase de seu time, o Cruzeiro.

Se uma atitude rápida não for tomada, vou perder meu filho. Ele corre o risco de morrer 24 horas por dia”

Procurada pelo iG , a assessoria de imprensa do governo de Minas informou que já repassou recursos para a compra do marcapasso para a criança, no valor de R$ 400 mil. Quem compra o equipamento é o hospital Albert Einstein, único a fazer a cirurgia no país. A assessoria não soube explicar detalhes do recurso apresentado na ação judicial com pedido de liminar. O secretário estadual de Saúde, Antônio Jorge, havia dito que cumpriria a decisão judicial.

Pela decisão do desembargador, há possibilidade de recurso por parte do Estado, para se negar a pagar as despesas que a cirurgia da criança exige.

Na ação judicial, o advogado da família de Pedro Arthur, Frederico Damato, pediu o custeio de todas as despesas, não apenas do marcapasso. Isso inclui toda logística: transporte aéreo especial, despesas com hospedagem, alimentação e o pagamento da cirurgia e a internação. Segundo estimativa, apenas o procedimento tem custo de R$ 100 mil.

Damato afirmou ao iG que por causa do feriado (Dia do Servidor Público) só terá acesso aos detalhes do recurso do governo de Minas na segunda-feira (31). "O tribunal ainda não publicou, apenas relatou que o Estado juntou o recurso. Falta a publicação para eu ter acesso", explicou. A família da criança pretende acompanhar de perto a evolução após a cirurgia de baixo risco, de acordo com o médico Rodrigo Sardenberg, do hospital Albert Einstein.

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