Ex-senador, médico do Amapá é nomeado conselheiro de estatal de Minas

Aliado de Aécio Neves, Papaléo Paes vai ganhar R$6,6 mil por mês para integrar conselho da Companhia de Gás de Minas Gerais

Denise Motta, iG Minas Gerais |

O governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), nomeou o ex-senador pelo Amapá, o médico Papaléo Paes (PSDB), como membro titular do Conselho de Administração da Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig), estatal vinculada à Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). O caso foi revelado pelo jornal O Estado de Minas .

Waldemir Barreto/Agência Senado
Papaléo Paes, ex-senador pelo PSDB do Amapá
A Gasmig é distribuidora de gás natural canalizado em todo o território mineiro. Papaléo chegou a ser anunciado como futuro secretário de Administração do Governo do Amapá, pelo governador Camilo Capiberibe (PSB), mas não assumiu o cargo. Segundo Paes, por "questões pessoais"

Como conselheiro na Gasmig, o ex-senador recebe R$ 6,6 mil para participar de uma reunião mensal. No ano passado, Papaléo foi derrotado com 47.619 votos (9,12%) em disputa por reeleição no Senado. Os dois senadores eleitos pelo Amapá foram Randolfe Rodrigues (PSOL) e Gilvan Borges (PMDB).

A nomeação de Papaléo causou reação do bloco de oposição a Anastasia na Assembleia Legislativa. Os oposicionistas questionam formalmente, por meio de requerimento, a indicação. O motivo é a residência do novo conselheiro da Gasmig.

O ex-senador tucano mora em Macapá, a 3.300 quilômetros de distância de Belo Horizonte. Os deputados oposicionistas afirmam que a nomeação do ex-senador seria parte de um plano do senador Aécio Neves para se viabilizar, entre correligionários, seu nome para a corrida presidencial de 2014.

A versão de Papaléo

O iG conversou com Papaléo Paes sobre a sua nomeação. Ele disse desconhecer quem o indicou e negou interferência do senador Aécio, ex-governador de Minas, a seu favor. Questionado sobre suas atividades profissionais atualmente, ele contou ser diretor da Escola do Legislativo do Amapá, cargo de confiança pelo qual recebe R$ 13 mil.

Divulgação/Governo de Minas
Aécio Neves e Antonio Anastasia
Papaléo explicou que é servidor público federal de carreira pelo Amapá. À disposição do Estado, completou, foi indicado pelo presidente da assembléia, deputado Moisés Souza (PSC), para assumir a diretoria da Escola do Legislativo, em fase de implementação. “Não quero de forma nenhuma que a presença de um simples cidadão do Amapá venha a conturbar a política de um companheiro de Minas Gerais. Não entrei nessa por troca a troca”, afirma ele.

Questionado se tem preferência de nomes para a corrida presidencial de 2014, Papaléo disse ver como bons nomes tanto Aécio quanto o ex-governador de São Paulo, José Serra. “O Aécio é um bom nome e o Serra tem experiência. Não tenho preferência pessoal. É melhor esperar.”

O ex-senador também afirmou ao iG que o convite para ser conselheiro partiu do presidente da Cemig, Djalma Moraes. “O Djalma Moraes me telefonou e me convidou. Foi uma grande honraria, portanto aceitei o desafio. Ele disse que eu, como grande conhecedor do Norte do país, ajudaria. Até então, nem sabia que seria para a Gasmig. Questionam o fato de eu morar longe e ser médico, mas eu pretendo ir a Minas para as reuniões. Como prefeito de Macapá e ex-senador, tenho experiência suficiente para assumir a função”, defende o tucano, ainda não convocado para nenhuma reunião, mas que já começou a receber vencimentos do governo mineiro.

A nomeação de  Papaléo, aprovada em reunião no dia 9 de abril, não contou com a presença dele próprio. “Pedi que me comuniquem das reuniões com antecedência para eu me programar”, conta ele.

Por meio de nota, a Cemig informou que a indicação do ex-senador se deu por “inquestionável liderança exercida no Norte do país”. Destacou, ainda, que “o Grupo Cemig é formado por 58 empresas e está presente em 19 Estados, inclusive nas regiões Norte e Nordeste do Brasil” e que “por estar presente em quase todo o território nacional, tem buscado incluir em seus conselhos representantes de outros Estados da Federação”, “uma medida de praxe”, conclui.

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