Ex-mulher de empreiteiro acusa delegado por execução

Em março, Sebastião Maximinio Santos foi morto e teve o corpo carbonizado, em um crime com várias questões sem resposta

Denise Motta, iG Mina Gerais |

A ex-mulher de um empreiteiro assassinado no início deste ano, em Belo Horizonte, afirmou na tarde desta quarta-feira (13) que um delegado aposentado estaria envolvido no crime. Com uma herança cujo valor ainda é incerto, Sebastião Maximinio dos Santos, 52 anos, seria amigo do delegado aposentado, cujo veículo foi encontrado na casa da vítima. Sebastião foi morto e teve o corpo carbonizado . Um fio foi encontrado enrolado em seu pescoço.

A copeira Fátima Rodrigues, 31 anos, contou em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos que seu ex-companheiro chegou a emprestar dinheiro para o delegado e que herança da qual ela tem direito seria dividida entre policiais civis de Minas Gerais. Do relacionamento de Fátima com Sebastião, entre 1994 e 1997, nasceu o único herdeiro do empreiteiro. O garoto hoje possui 15 anos e não anda nem fala, por conta de um problema durante a gestação.

nullUm pedreiro que trabalhava para o empreiteiro, Adão Silva de Oliveira, tomou posse dos bens do ex-patrão, incluindo sua casa, cartões de crédito, cheques, documentos pessoais e um carro. Acusado do crime, ele está preso enquanto aguarda os andamentos do processo de investigação. Outras dez pessoas são investigadas por envolvimento no crime.

A ex-companheira de Sebastião prestou depoimento à comissão porque disse se sentir ameaçada, já que é mãe do único herdeiro do empreiteiro morto. Ela disse que durante as investigações do crime ouviu quatro policiais dizerem que tomaram posse dos bens do empreiteiro morto e dividiriam o dinheiro em partes iguais. Ao tomar satisfações com os policiais, se identificando como mãe do filho de Sebastião, Fátima contou que foi ameaçada. “Ela não vai fazer nada porque tem filho para criar e nós sabemos onde ela mora”, teria dito um dos policiais.

Fátima foi à audiência acompanhada dos cinco filhos, mas apenas o mais velho é herdeiro dos bens do empreiteiro. Na audiência, a delegada chefe da Delegacia de Desaparecidos de Belo Horizonte, Cristina Coeli afirmou que durante o inquérito o pedreiro Adão assumiu ter matado o ex-patrão para se apossar de seus bens.

A ex-companheira do empreiteiro assassinado disse que Sebastião enriqueceu trazendo ilegalmente mercadorias do Paraguai e que chegou a ser preso duas vezes lá. O delegado aposentado, supostamente envolvido no assassinato, segundo a mulher, ajudava Sebastião a entrar ilegalmente com as mercadorias no Brasil. “Ele abastecia toda rede de motéis com preservativos e cigarros. Eu quero justiça para a morte do pai do meu filho. Tenho certeza que o delegado está envolvido no crime”, disse, chorando, a ex-companheira do empreiteiro. Ela também afirmou que o delegado aposentado teria pegado R$ 100 mil em empréstimo. Segundo ela, e o fato de não querer devolver a quantia pode ter motivado o crime.

Bens

Quando desapareceu, em janeiro deste ano, o empreiteiro Sebastião Maximinio estaria com dinheiro para comprar um imóvel na zona rural do Estado do Pará, contou a ex-companheira dele. De acordo com Fátima, o dinheiro desapareceu. A polícia civil alega que o único bem encontrado em seu nome, além de uma casa e alguns veículos, foi um cheque de R$ 70 mil, resultado de dívidas para com Sebastião.

Fátima, entretanto, conta que ele possuía dois prédios e duas casas em Belo Horizonte, além de uma fazenda em Carmésia, a 196 quilômetros de Belo Horizonte. Presidente da Comissão de Direitos Humanos, o deputado estadual Durval Ângelo (PT) calculou que apenas um dos prédios, por sua localização, teria o valor de até R$ 3 milhões.

A corregedoria da Polícia Civil mineira informou que irá apurar o suposto envolvimentos de integrantes da corporação no crime. O presidente da comissão de Direitos Humanos não descarta uma acareação entre Fátima e um policial que a ameaçou. Ela disse viver em uma favela e, para melhorar de vida, reivindica os bens do empreiteiro, cujo montante ainda é incerto, mas foi o que motivou seu próprio assassinato. Como ela é mãe de um filho, menor de 18 anos, da vítima, ela detém a posse.

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