Em Minas, estragos provocados pelas chuvas explodem em dois anos

Desde 2010, o número de pessoas afetadas, de municípios em emergência e de feriado só aumenta. Em alguns casos, mais de 100%

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Os transtornos causados pelas chuvas em Minas Gerais vem aumentando significativamente a cada ano. Com mais de 2,8 milhões de pessoas afetadas no Estado, a constatação é de que janeiro é o mês em que pessoas vão morrer em cidades alagadas e milhares de outras pessoas vão perder suas casas.

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O número de pessoas afetadas e de casas e pontes destruídas vem explodindo ano a ano. O iG reuniu os dados do ano de 2010, quando o governador era Aécio Neves (PSDB) - que deixou o governo em abril de 2010 para se candidatar com sucesso ao Senado - e os de 2011 e de 2012, quando Minas já estava sob o comando de Antonio Anastasia (PSDB), que era vice de Aécio, assumiu e, mais tarde, foi eleito governador.

Problema criado pelas chuvas 2010 2011 2012 DIferença em % (entre 2010 e 2011) DIferença em % (entre 2011 e 2012)
Pessoas afetadas 430.000 1.200.302   2.831.087 + 179%  + 136%
Municípios que decretaram situação de emergência 41  65 127  + 58% + 95%
Pessoas desalojadas 8.887 13.662   25.514 + 54%  + 87%
Pessoas desabrigadas 1.000 2.022   2.495 + 102%  + 23%
Mortes 14  16  15  + 14% - 6%
Feridos  51 67  119 + 31%  + 77%
Casas danificadas 4.267  4.869  9.834 + 14%  + 102%
Casas destruídas 156  184   394  + 18% + 114%
Pontes destruídas 71  68  175 - 4%  + 157%
Pontes danificadas 122  300  264 + 146%  - 12%

Em relação ao ano passado, primeiro ano de Anastasia como governador eleito, o número de pessoas afetadas pelas chuvas cresceu 136% neste ano. Passou de pouco mais de 1,2 milhão para quase 3 milhões (veja tabela acima para comparar todos os números). No ano passado, o iG já havia mostrado o aumento dos transtornos causados pelas chuvas, de 2010 para 2011.

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O número de mortos pelas tempestades é o mesmo do ano passado, levando-se em consideração que a Defesa Civil Mineira ainda estuda contabilizar a morte de um homem em Ponte Nova , a 180 quilômetros de Belo Horizonte.  Diego Tuler Vieira, de 27 anos, foi arrastado pelo rio Piranga e, com sua morte, chega a 16 os mortos pelas chuvas em Minas, tanto em 2011 quanto em 2012. Em 2010, 14 pessoas morreram no mesmo período.

A quantidade de vítimas fatais das chuvas deve aumentar ainda mais. Bombeiros ainda procuram localizar três pessoas desaparecidas durante o período chuvoso. Rita Vieira de Souza, de 74 anos, foi arrastada pela correnteza de um rio em Santo Antônio do Rio Abaixo, a 154 quilômetros de Belo Horizonte. Roseli do Nascimento, de 45 anos, e Vanis Silencio Ferreira, de idade não revelada, também contam na lista de pessoas desaparecidas. Roseli foi arrastada por enxurrada em Além Paraíba, a 364 quilômetros de Belo Horizonte, e Vanis por um rio em União de Minas, distante 772 quilômetros da capital mineira.

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Ações do governo

Na tentativa de minimizar os impactos das chuvas, o governo Anastasia criou um escritório de trabalho em Ubá, na Zona da Mata, uma das regiões mais afetadas em 2012. Além disso, o governador mineiro pede ao governo federal recursos para obras que possam finalmente frear a expansão das tragédias. Inicialmente, Anastasia afirmou que os recursos para obras, especialmente de saneamento e construção de barragens, estavam estimados em R$ 1,5 bilhão .

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Na última terça-feira (10), uma comitiva do governo mineiro esteve em Brasília. Depois da reunião, o governo mineiro informou que a estimativa de recursos necessários para obras chega a R$ 3,9 bilhões, sendo R$ 1,5 bilhão para projetos de competência do Estado e o restante de responsabilidade dos municípios. Nesta quarta-feira (11), Anastasia visita a cidade de Além Paraíba. Lá, na segunda-feira (9), dois homens morreram por causa das fortes chuvas, um soterrado e outro levado por uma enxurrada. Além disso há outra pessoa desaparecida.

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