Ele tentou matá-la covardemente

O aposentado Aílton Antônio Pinto, pai da estudante de medicina esfaqueada por colega de classe em Minas, conta como foi o crime

Denise Motta, iG Minas Gerais |

A estudante de medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Maria Luiza Costa Pinto, de 21 anos, viveu momentos de desespero na noite do último sábado, quando foi brutalmente atacada pelo colega de sala Vitor Guilherme Carvalho Ribeiro, de 22 anos . Esfaqueada pelo menos oito vezes, ela ainda encontrou forças para tentar evitar que o colega atacasse seu pai. Vitor confessou o crime sob justificativa de que cultivava um amor platônico.

Pai de Maria Luiza, o aposentado Aílton Antônio Pinto, 59 anos, promete ir às últimas instâncias da Justiça. Dois irmãos de Vitor procuraram a família da jovem, no hospital em que ela está internada, para pedir desculpas. “Eu falei a eles que entendia, mas perdoar é outra história. Não sei se perdoo. Quero justiça. E se quero justiça não o perdoo. Ele tentou matar uma pessoa covardemente. Ele deve ser preso. Se ele ficar preso, teremos justiça”, desabafa Aílton.

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Ele relembra o pânico que sentiu ao ver a filha ser esfaqueada na porta de casa, na região oeste de Belo Horizonte. “Quando chegamos em casa, ele invadiu a garagem e começou a esfaqueá-la. Ouvi ela gritar pai, em tom de socorro, e interferi. Ele me jogou no chão, me chutou e disse: agora é você. Foi a única coisa que ele disse: agora é você. A intenção dele era só matar. Minha filha é muito tranquila. Depois de tudo, mesmo ferida, ela disse: pai, é facada. Acho que é porque ela faz medicina. Apesar da situação, ficou calma. Levei ao hospital e ela está tendo uma recuperação fantástica”, diz o aposentado. A cirurgia pela qual Maria Luiza passou após o ataque só terminou às 7h do domingo. Ela foi ferida na cabeça, ombro, costas e abdomên. “Não queira saber o que eu passei”, conta ele.

Aílton se recorda que o atentado de Vitor aconteceu por volta de 23h15 do sábado, quando ele retornava com a filha de uma festa do curso de medicina. Ele diz que Vitor saiu da festa ao ver Maria Luiza conversando com outro rapaz.

Quando chegamos em casa, ele invadiu a garagem e começou a esfaqueá-la. Ouvi ela gritar pai, em tom de socorro, e interferi. Ele me jogou no chão, me chutou e disse: agora é você. Foi a única coisa que ele disse: agora é você. A intenção dele era só matar

“Nas festas, sempre que ele a via conversando com outro rapaz, ia embora. A turma de medicina sempre organiza muitas festas. Dessa vez, parece que ele estava alterado. A festa se chamava 'vinhada'”, destaca, referindo-se ao tipo de festa, regada a vinho.

Questionado se desconfiava que Vitor pudesse atacar sua filha, Aílton disse que Maria Luiza havia comentado que o rapaz era tímido, mas a abordava de forma estranha, por isso ela tinha medo do comportamento dele. Maria Luiza e Vitor não eram amigos, mas conversavam esporadicamente porque eram da mesma classe, conta o pai.

O pai da estudante ferida diz que a filha contava sobre a abordagem de Vitor: “Ele dizia que o pé dela era o mais bonito do mundo e que o rosto dela era perfeito”, afirma. Apesar das investidas do colega, a família de Maria Luiza não podia imaginar que o jovem tentaria matá-la por não ser correspondido. “Ele nunca fez nada que justificasse uma denúncia à polícia. Nunca imaginamos que isso pudesse ocorrer”, conta o pai.

A UFMG não se pronuncia sobre o caso. Afirma apenas que o crime ocorreu fora das dependências da universidade. “Se fosse na minha época de estudante, ele teria sido expulso automaticamente”, afirma o pai.

A Polícia Civil mineira informou nesta quarta-feira que Maria Luiza foi ouvida no Pronto Socorro João XXIII na parte da manhã, de forma informal. Ela reconheceu que Vitor a atacou. Também reafirmou que nunca teve qualquer relacionamento com ele, mas percebia um comportamento obsessivo. Vitor se apresentou à polícia na terça-feira, foi ouvido e liberado.

A Polícia Civil pediu a prisão preventiva dele, mas a Justiça de Minas ainda não se manifestou. O advogado de Vitor, José Rattes, informou que ele passa por acompanhamento psicológico fora de Belo Horizonte e não dará declarações à imprensa sobre o caso.

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