Diretores de prisão em Minas são investigados por abuso de presas

Eles são suspeitos de usar salas do presídio para ter relações sexuais com as detentas

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Dois diretores de um presídio em Pirapora, a 350 quilômetros de Belo Horizonte, estão sendo investigados pelo Ministério Público de Minas Gerais por assediarem sexualmente detentas e agentes penitenciárias. Há também suspeitas de que eles teriam praticado sexo com quatro detentas dentro do presídio.

Relatou que o diretor costumava ‘dar presentinhos’ para algumas presas, como forma de tentar obter algum favor sexual”, diz trecho do depoimento

O presídio de Pirapora, com capacidade para 58 detentos, abriga 175 pessoas. São 14 mulheres e 161 homens. O iG teve acesso à Ação Civil Pública do Ministério Público envolvendo os diretores. O documento contém depoimentos indicando utilização de uma sala do presídio para praticar “atos libidinosos” com detentas. As mulheres frequentariam salas dos diretores sem a devida escolta de uma agente e permaneciam no local por horas, testemunharam funcionárias e detentas.

Algumas detentas e agentes penitenciárias que prestaram depoimento temem perseguição. Seus nomes são preservados assim como o dos diretores, pois o caso está em fase de investigação. As depoentes disseram que os diretores tinham o costume de tocar nos cabelos das mulheres, elogiá-las e chamá-las para sair. Revistas com detector de metal em mulheres, que deveriam ser feitas por agentes femininas, foram feitas pelos diretores, afirmou uma testemunha.

Outro depoimento indica que os diretores mantinham relacionamento próximo especialmente com duas detentas, frequentando as casas delas e dando caronas a elas em caso de libertação provisória. Os depoimentos ainda sugerem que os diretores por diversas vezes tentaram “agarrar” à força mulheres do presídio.

O promotor de justiça Carlos Eduardo Avanzi conseguiu o afastamento provisório dos dois diretores na semana passada. Ele afirmou que pelo menos 10 mulheres teriam sido vítimas deles, entre detentas e agentes penitenciárias. Os diretores foram procurados pela reportagem, mas não quiseram comentar o caso. Eles cumprem férias, mas ainda frequentam o presídio, conforme informações de um funcionário do local.

Carro de serviço em festas

Que as presas eram ouvidas pelos diretores sem a devida escolta, que seria um agente penitenciário na sala; que os diretores pediam que a agente penitenciária da escolta se retirasse; que elas ficavam por horas conversando com os diretores dentro da sala”, diz outro trecho

Os diretores também teriam usado um carro de luxo, um Audi A3, destinado exclusivamente a atividades profissionais, para frequentar festas e bares, sendo que um deles chegou a dirigir o veículo sem possuir carteira de habilitação. O carro, apreendido em operação de combate ao tráfico de drogas, foi cedido ao presídio pela Subsecretaria de Administração Penitenciária (Suapi) e é abastecido com recursos públicos. Na ação, a promotoria anexou fotos do Audi transportando uma detenta.

Por causa do suposto desvio no uso do Audi, os diretores podem ser enquadrados no crime de improbidade administrativa. Além de uma ação na área cível, a promotoria da cidade pretende instaurar um procedimento criminal envolvendo os diretores.

A suspeita de irregularidades no presídio de Pirapora partiu de denúncia de parentes de uma detenta do presídio, que buscou contato com a seção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) na cidade e com o Conselho de Segurança Pública. “Recebemos uma representação de uma mãe de uma detenta que estava muito incomodada com a situação. Estamos aqui para ouvir os cidadãos. As pessoas precisam denunciar este tipo de atitude”, diz a responsável pela OAB de Pirapora, Neuza Marinho da Silva.

Procurada pelo iG , a Secretaria de Estado de Defesa Social informou que o governo de Minas instaurou procedimento administrativo para investigar as condutas dos diretores. A secretaria também informou que os diretores foram indicados pela Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi) e trabalham há aproximadamente um ano no local.

    Leia tudo sobre: Minas GeraisPirapora

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG