Dinheiro é desviado de ONG que atende doentes de câncer, diz promotoria

Segundo o Ministério Público, diretoria de organização no interior de Minas se apropriou de recursos e doações - incluindo um sofá, bolacha e chocolate

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Reprodução/Google Maps
Itaúna fica a 78 quilômetros de Belo Horizonte
Ex-diretores de uma entidade filantrópica de apoio a vítimas de câncer no interior de Minas Gerais são acusados de desviar dinheiro do local. O caso aconteceu em Itaúna, a 78 quilômetros de Belo Horizonte.

O Ministério Público pede a condenação dos ex-diretores Mário Celso de Oliveira Nogueira e Luzia Borges Macieira Nogueira, além do ex-tesoureiro Arnaldo Batista, por desvio de dinheiro e formação de quadrilha. Os réus na ação penal administravam a Associação de Voluntários no Apoio e Combate ao Câncer de Itaúna (Avacci). Durante inquérito policial, eles alegaram inocência e chegaram a mudar de cidade.

Biscoito é levado para casa

Conforme a denúncia do promotor de Justiça Fábio Galindo Silvestre, os acusados pagaram contas de telefone celular particular, no valor de R$ 600, com recursos da instituição, emitiram notas fiscais em nome da Avacci para compras de materiais de construção que teriam sido utilizados para obra particular dos ex-diretores e compraram até chuveiros com dinheiro da entidade para as próprias casas.

Houve, entre os anos de 2005 e 2007, gestão fraudulenta dos fins da associação, tendo os denunciados tirado proveito de patrimônio em prejuízo do tratamento do câncer alheio, promovendo a mais odiosa e repugnante conduta que um ser humano é capaz de empreender"

Além disso, a denúncia também cita o desaparecimento de doações à entidade. Os cerca de R$ 3 mil arrecadados mensalmente em um bazar nunca foram contabilizados. Um sofá doado para a entidade teria sido levado para a casa dos diretores. Depoimentos no processo também indicam que produtos como chocolates, biscoitos e leite condensado eram retirados de cestas doadas à Avacci pela ex-diretoria - e levados para casa.

"Houve, entre os anos de 2005 e 2007, gestão fraudulenta dos fins da associação, tendo os denunciados tirado proveito de patrimônio em prejuízo do tratamento do câncer alheio, promovendo a mais odiosa e repugnante conduta que um ser humano é capaz de empreender", destaca o promotor do caso, emendando que o crime é “tipicamente pluriofensivo”, ou seja, tem diversas vítimas. “É vítima desse comportamento criminoso o doente de câncer, que ficou sem tratamento por falta de recursos, o doador fiel, que acreditava ter aplicado seu dinheiro em uma causa nobre, a instituição, que ficou impossibilitada de cumprir com sua finalidade, enfim, toda a sociedade de Itaúna, que se vê marcada por esse escândalo que mancha a sua história”, completou.

Entidade filantrópica sem fins lucrativos, a Avacci foi criada no ano 2000 para ajudar portadores, carentes, de câncer. A estimativa é de que cerca de mil pacientes, entre crianças, adultos e idosos estejam cadastrados para receber apoio como fornecimentos de cestas básicas e outros mantimentos, além de custeio com medicamentos e exames. Também são fornecidas cadeiras de rodas, colchões e transporte para consultas e exames.

Há interesse político nesta história, por isso destruíram a diretoria”, diz advogado

Outro lado

O advogado dos réus, Heleno Clarete Garcias, alega inocência dos acusados. Ele diz que, após quatro anos de suspensão de outro processo referente às mesmas acusações, o caso foi reaberto neste mês de agosto de 2011. “Já existia um inquérito em 2004 e não houve denúncia. Agora, vamos aguardar a citação da denúncia para fazer a defesa. As denúncias são levianas, são uma armação”, afirma Garcias. O defensor diz que os denunciantes teriam interesse em ver outro grupo assumir a direção da Avacci. “Há interesse político nesta história, por isso, destruíram a diretoria”.

O iG procurou a atual direção da Avacci, mas a responsável pela entidade, Glória Clemente, está em viagem e não foi localizada. Ninguém da associação quis comentar o caso.

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