Deputado sem diploma ganha de servidor com doutorado em Minas

Mauri Torres foi eleito pela Assembleia Legislativa para vaga vitalícia no Tribunal de Contas. Salário é de R$ 24,1 mil por mês

Denise Motta, iG Minas Gerais |

O deputado estadual Mauri Torres (PSDB-MG), 61 anos, vai assumir o cargo vitalício de conselheiro no Tribunal de Contas de Minas Gerais (TCE-MG), pelo qual receberá o salário de R$ 24,1 mil por mês. Conforme divulgou o iG , Torres não tem curso superior e disputou a vaga com um servidor de carreira da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Alexandre Bossi Queiroz, de 47 anos, com duas graduações, mestrado e doutorado no currículo .

Torres obteve 63 votos dos deputados em eleição realizada na Assembleia na noite de terça-feira (05), durante reunião extraordinária de plenário. Bossi obteve apenas quatro votos. Também foram registrados quatro votos em branco e dois nulos, em um total de 73 presentes, dos 77 deputados existentes. A votação foi secreta.

Divulgação
O servidor da Assembleia Alexandre Bossi Queiroz e o deputado estadual Mauri Torres
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Para ser conselheiro do TCE é preciso, conforme informa a assessoria de imprensa do órgão, ter no mínimo 35 anos e menos de 65 anos, idoneidade moral e reputação ilibada, além de notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos, financeiros ou de administração pública. Também é necessário ter mais de 10 anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exijam os conhecimentos mencionados anteriormente.

Até o dia 15 deste mês, Torres será nomeado pelo presidente da Assembleia, deputado Dinis Pinheiro (PSDB), que comunicará o ato ao governador do Estado, Antonio Anastasia (PSDB). O conselheiro será, então, empossado pelo presidente do Tribunal de Contas, Antônio Andrada, no prazo de 30 dias, prorrogáveis por igual período. Andrada também foi deputado estadual. Com a eleição de Torres para o TCE, sua vaga será assumida pelo suplente Romel Anízio (PP), partido também da base do governador Anastasia, já que seu vice, Alberto Pinto Coelho, também é do PP.

Natural de Guararema, São Paulo, Torres exerce seu sexto mandato consecutivo na assembleia. Ele foi presidente da casa entre 2003 e 2007 e líder do governo entre 2001 e 2003, durante o primeiro mandato do hoje senador Aécio Neves (PSDB). No currículo profissional de Torres constam também as atividades de empresário e produtor rural.

O adversário dele, Queiroz, já tentou ser conselheiro em cinco disputas, pois se considera tecnicamente qualificado. O servidor é formado em Contabilidade e Administração de Empresas pela PUC Minas. O mestrado em Contabilidade Pública e o doutorado em Contabilidade em Finanças ele cursou em Zaragoza, na Espanha.

A vaga no TCE foi aberta com a aposentadoria do conselheiro Elmo Braz. Com 61 anos, Torres tem pelo menos nove anos de atuação do TCE, já que, a partir de 70 anos, é obrigado a se aposentar com direito a benefício mensal no mesmo valor de seu salário: R$ 24,1 mil.

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