De 08/08/08 a 11/11/11: brasileiro pedala 50 mil km por 59 países

Danilo Perrotti partiu de Belo Horizonte às 8h08 do dia 08/08/08 e chegou à Praça da Liberdade às 11h11 do dia 11/11/11

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Denise Motta
Danilo e sua bicicleta nesta sexta-feira em Belo Horizonte
Sob um sol de 26 graus, o aventureiro Danilo Perrotti chegou à Praça da Liberdade no final da manhã desta sexta-feira (11), após pedalar por 59 países, cujas bandeiras carrega consigo em um colete utilizado na viagem. O trajeto de 50 mil quilômetros teve início há três anos, três meses e três dias, na mesma praça, quando o administrador decidiu percorrer a diversidade cultural do planeta em busca de descobrir o mundo e si mesmo.

A conclusão de Danilo apsós a longa jornada é que, independente de religiões, línguas e etnias, todos buscam a felicidade. “Eu trouxe amor. Todo mundo é igual. Todo mundo quer estar em paz e harmonia. Em qualquer lugar do mundo eu fui muito bem recebido. Em essência, as pessoas são boas. A melhor parte da viagem é agora. O melhor dia é hoje e agora”, disse o aventureiro em meio a lágrimas de emoção por completar o desafio. “Quando eu me propus a fazer isso, nada foi difícil, tudo faz parte do caminho. Eu queria ver o mundo, sentir o mundo. E a bicicleta foi a melhor forma que eu encontrei”, explicou.

Danilo saiu de Belo Horizonte às 8h08 do dia 08/08/08 com destino ao Rio, passando pela Estrada Real. Dezoito dias depois, ele embarcou para a Europa. A viagem foi dividida em oito etapas: Europa (17 países), Oriente Médio e África (9 países), Ásia (17 países), Oceania (2 países), América do Norte (2 países), América Central (8 países) e América do Sul (4 países). Ele andava com um GPS que fornecia sua localização exata para a família e contava as descobertas por telefone e pela iternet. No site www.homemlivre.com.br é possível explorar a trajetória do percurso por meio de fotos e vídeos.

O retorno ao mesmo local da partida, às 11h11 do dia 11/11/11, não foi por acaso. Influenciado por uma filosofia mística, ele contou que as datas refletem a harmonia que ele busca para sua vida e que deseja ao planeta. Agora, Danilo encara uma nova aventura, a de contar em filme e livro as descobertas e desafios enfrentados ao longo dos últimos três anos. Ele também pretende se desfazer de sua bike, especialmente adaptada para a viagem. “Fazer um filme também é uma grande aventura. E a bicicleta eu vou leiloar. Não vou ficar nem com a bicicleta nem com as malas. Vou leiloar para doar o dinheiro a um projeto social com crianças carentes”. A bike dele é feita de cromo e possui cinco pequenas bolsas nas partes dianteira e traseira, fixadas perto dos pneus.

nullO administrador pedalou por dia, em média, cerca de sete a oito horas, uma distância aproximada de 100 quilômetros por dia. “Gostei muito de viajar na Ásia. Fiquei um ano viajando na Ásia. É fantástico, muitas culturas misturadas”, contou ele, que estimou a viagem em R$ 100 mil, recurso de sua família. O aventureiro usava um cartão de crédito internacional para sacar dinheiro. Desapegado, ele carregava em sua bicicleta poucas roupas, uma barraca de camping e utensílios para cozinhar. Para se ter ideia de que os custos da longa viagem eram baixos, na Ásia ele conseguiu se alimentar com um prato de comida pagando apenas US$ 1, lembra.

Casamento e família

No primeiro ano de viagem, Danilo passou o Natal e o Ano Novo em Londres, Inglaterra. Nos dois anos seguintes, ganhou a companhia da família nos feriados de final de ano na Índia e nos Estados Unidos. Ao longo de tantas descobertas, Danilo se casou, no último ano de sua jornada, com a namorada de oito anos, Gisele Werneck, 30 anos. É ela quem dirige o filme “O Homem Livre”, sobre a aventura do amado, que conta com recursos da Lei Rouanet, do Ministério da Cultura. A película tem previsão de ser lançada no próximo ano. “Nos casamos na praia de Pipa (Nordeste do Brasil), no dia 4 de agosto deste ano. Estivemos juntos na Índia e fizemos uma cerimônia nos moldes indianos, bem simples e com poucas pessoas”, contou ela, que se encontrou com o marido em 10 dos 59 países visitados, tais como Turquia, Índia, Tailândia, Estados Unidos, México, Nova Zelândia (onde pedalou com Danilo) e Peru. Ela disse ao iG que, desde quando Danilo pedala do Peru ao Brasil, filmagens vêm sendo feitas para a elaboração do filme.

Divulgação
Danilo no Opera House, cartão postal da Austrália
Gisele conta que, por ser nadador e sempre ir para os treinos no Minas Tênis Clube de bicicleta, Danilo teve a ideia de percorrer grandes distâncias quando eles moravam em Londres. “Ele saiu de Londres e foi à Santiago de Compostela (Espanha). Aí ele percebeu que podia ir mais longe e chegou ao Marrocos. Foi então que ele viu que podia conhecer o mundo de bicicleta. A bicicleta deixa uma experiência de contato com o mundo natural. O pôr do sol e o nascer do sol indicavam quando ele parava e quando começava a pedalar. Quando o sol batia na barraca, ele sabia que era hora de acordar”.

Além da esposa, o aventureiro contou com a companhia do pai em alguns momentos do trajeto. O analista de sistemas aposentado Virgílio Machado, de 66 anos, veio de Diamantina até Belo Horizonte com o filho, pedalando, na reta final da viagem. Mas ele também aproveitou para conhecer de bike a Holanda, Dinamarca, Noruega, Itália e Grécia. Virgílio relembrou momentos da viagem que contrastam com o calor de Belo Horizonte nesta sexta.

“Uma vez estávamos pedalávamos em uma auto-estrada e nos rebocaram para uma estrada secundária. Mas foi tranquilo. Em outro dia, na Dinamarca, com um frio abaixo de zero graus, chegamos em um parque e estávamos pensando onde acampar para dormir. Encontramos um banheiro aquecido e não pensamos duas vezes. Dormimos no banheiro mesmo. Mas o banheiro estava bem limpo”, brincou o aposentado, emendando que a barreira da linguagem sempre pode ser ultrapassada. “No caso da China, no interior não falam nada de inglês. Então a comunicação foi por mímica. Danilo mostrava um prato de comida e as pessoas entendiam. No resto do mundo, o inglês é universal.”

Questionado sobre como era o controle nas fronteiras dos países, o pai de Danilo explicou que, dentro da comunidade europea, o cruzamento das fronteiras de bicicleta só é notado porque existem placas. Já em lugares como Israel, Turquia e Iêmen, foi necessário uso de passaporte. O filho de Virgílio tem cidadania italiana e utilizou o passaporte da comunidade europea para facilitar as coisas. “É o jeitinho brasileiro com jeitinho italiano”.

A mãe de Danilo, a aposentada Arlete Santos, 66 anos, disse ao iG não ter ficado surpresa quando o filho contou seu audacioso plano de conhecer o mundo de bicicleta. Mãe de outros dois filhos que moram em Londres, ela não tira o sorriso dos lábios ao comentar sobre a família: “Criei meus filhos para serem do mundo. E eles são”.

Divulgação
O ciclista durante sua passagem pelo Vaticano

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