Conselho investiga juíza que empregou genro em seu gabinete

Caso está sendo apurado pelo Conselho Nacional de Justiça. Salário é de R$ R$ 8,4 mil

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Divulgação
A desembargadora Vanessa Verdolim
A desembargadora do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, Vanessa Verdolim Hudson Andrade, indicou o futuro genro para trabalhar como assessor judiciário em seu gabinete. Carlos Eduardo Cancherini foi nomeado assessor em 18 de fevereiro de 2004 e casou-se com a filha da desembargadora, Fernanda, em 22 de abril de 2005. O genro da desembargadora não é concursado e, pelo cargo de livre nomeação, o gabinete da sogra lhe paga mensalmente R$ 8,4 mil.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) investiga a legalidade da nomeação e já pediu ao tribunal mineiro e ao próprio Cancherini esclarecimentos sobre o caso. A nomeação de parentes é proibida no judiciário brasileiro. O tribunal mineiro informou, por meio de assessoria, que todas as pessoas nomeadas por indicação de desembargadores devem assinar um termo, negando parentesco com o magistrado.

No último dia 21 de maio, a conselheira do CNJ Morgana de Almeida Richa, relatora do processo, despachou decisão para que o tribunal informe a Cancherini sobre o procedimento administrativo em tramitação no conselho. Ele tem até o próximo dia 31 para se manifestar.

Leia mais notícias de Minas Gerais

Procurada pelo iG , a assessoria de imprensa do tribunal informou que o caso deve ser tratado diretamente com a magistrada, por determinação da presidência. A reportagem ligou cinco vezes para o gabinete da desembargadora pedindo esclarecimentos e não obteve retorno. O iG confirmou que Cancherini é um dos assessores da desembargadora.

Nascida em Conselheiro Lafaiete, a 100 quilômetros de Belo Horizonte, Vanessa Verdolim ocupa o cargo de desembargadora desde 1998. No dia 3 deste mês, ela foi agraciada com a Medalha do Mérito Municipal “Celso Mello Azevedo”, durante o 28º Congresso Mineiro de Municípios. A honraria é oferecida a pessoas e entidades que contribuem para os municipios de Minas Gerais.

Recentemente, um outro desembargador mineiro, Elpídio Donizetti , foi obrigado por decisão do CNJ a dispensar a ex-mulher, Leila, do cargo de assessora em seu próprio gabinete. Pela função, ela recebia R$ 9,2 mil. Ao contrário de Cancherini, Leila é concursada no tribunal. Donizetti incluiu na cláusula de separação, em 2009, que só pagaria pensão à ex caso ela perdesse o emprego - que ele deu a ela.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG