Com liminar, menino terá cirurgia inédita em crianças na América Latina

Pedro Arthur teve meningite e respira com aparelhos. Com marca-passo diafragmático, ele vai ter autonomia para respirar

Denise Motta, iG Minas Gerais |

 Pedro Arthur , de oito anos, trocou a angústia pelas lágrimas de alegria no começo da noite desta quinta-feira (06). A criança ficou tetraplégica e teve problemas respiratórios depois de contrair uma meningite , com pouco mais de um ano. Com a negativa do governo estadual de custear operação para receber um marca-passo diafragmático, Pedro Arthur lutava na Justiça para passar por uma cirurgia inédita no Brasil. 

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No começo desta noite, o desembargador Dárcio Lopardi Mendes deferiu pedido de liminar para que o procedimento médico seja realizado no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, único local habilitado no País.

Arquivo pessoal
O sorriso de Pedro Arthur, com cerca de 2 anos
“Nossa casa está cheia e em festa. Estamos superfelizes e emocionados porque isso vai abrir um precedente para muitas outras pessoas. Quando contei ao Pedro Arthur, ele chorou muito. Todos choramos muito com a notícia. Mas é um choro de alegria, um choro de paz, um choro que significa entender que o coração vai continuar a bater”, explicou ao iG o pai da criança, Rodrigo Diniz, de 37 anos.

Estamos superfelizes e emocionados porque isso vai abrir um precedente para muitas outras pessoas"

A cirurgia de Pedro Arthur tem um custo estimado em R$ 500 mil. O procedimento foi negado pelo governo sob alegação de que não consta na tabela de procedimentos cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em nota à imprensa, a secretaria estadual de Saúde informou que aguardaria e acataria decisão judicial. No despacho, o desembargador cita o artigo 196 da Constituição da República de 1988: “a saúde é direito de todos e constitui dever do Estado assegurá-la de forma a resguardar um bem maior, qual seja, a vida.”

Pedro Arthur será a primeira criança da América Latina a receber um marcapasso diafragmático. Isso permitirá que a criança respire sozinha, sem a ajuda de um aparelho que perfura sua traquéia e tem bateria carregada na tomada. A exposição de sua via respiratória é motivo para frequentes pneumonias o que eleva o risco de morte. De acordo com o médico Rodrigo Sardenberg, da equipe do hospital Albert Einstein, 3.000 pessoas já passaram pelo procedimento e as chances da criança ter ainda mais motivos para sorrir irão se multiplicar após a cirurgia.

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