Casas continuam interditadas após desmoronamento em Belo Horizonte

Um homem de 46 anos morreu sob os escombros do edifício e sua mulher ficou ferida após deslizamento na segunda-feira

Agência Brasil |

Ao menos três casas vizinhas ao prédio que desabou na madrugada de segunda-feira (2), em Belo Horizonte, continuam interditadas pela Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (Comdec), que não descarta o risco de novos deslizamentos de terra no local. Por precaução, a rua onde ficavam os dois blocos de oito apartamentos cada, no bairro Caiçara, região noroeste da capital, continua fechada para o trânsito.

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Agência Brasil
Prédios interditados pela Defesa Civil de Minas Gerais e o Corpo de Bombeiros no Bairro Buritis
De acordo com a Defesa Civil, os moradores do prédio que ruiu já haviam sido notificados de problemas estruturais, como ferragem indevidamente exposta, falta de rede de drenagem das águas das chuvas e de infiltrações na rede de esgoto. Um homem de 46 anos morreu sob os escombros do edifício e sua mulher ficou ferida. Moradores confirmaram à imprensa que já sabiam dos riscos, mas não realizaram as obras necessárias devido aos custos.

Técnicos da Defesa Civil voltarão ao local ainda hoje para inspecionar as residências vizinhas e verificar as condições do terreno, encharcado pelo grande volume de água que atingiu a cidade nos últimos dias. Além disso, como o bairro tem muitas construções (veja fotos), o receio das autoridades é de que novos deslizamentos de terras ou o eventual desabamento de alguma das casas interditadas atinjam outras residências.

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A situação também é preocupante no Bairro Buritis, na região oeste da cidade. Dois prédios construídos próximos a uma encosta ameaçam desabar e atingir as casas construídas na parte inferior do morro. Parte da fachada de um dos prédios já ruiu, levando a Defesa Civil municipal e o Corpo de Bombeiros a interditar toda a área e a sugerir à Justiça que autorize a demolição dos edifícios, afastando assim o risco de que as casas sejam atingidas.

Segundo o aposentado Luiz Marques, que mora há 16 anos no bairro, o problema começou no dia 22 de dezembro, quando a Defesa Civil esteve no local, constatou o problema e determinou que os moradores do prédio que ameaça cair deixassem suas casas. De acordo com o aposentado, que também foi orientado a sair do local onde mora, um outro prédio, ao lado da sua casa, também foi interditado.

"Eles quiseram me tirar da minha casa dizendo que o prédio ameaçava vir abaixo. Retiraram todos os moradores do prédio, mas eu fiquei, pois se eu sair ela vai ser saqueada", disse o aposentado, que convenceu a mulher, o filho e a sogra a irem para a casa de parentes.

Marques acredita que não está correndo risco de vida, já que, para ele, o local onde mora fica distante da encosta e, mesmo que o prédio desabe ou haja um deslizamento de terra, os escombros não atingirão sua casa. Ele critica a demora de uma solução definitiva para o problema.

"Não estão me protegendo. Estão simplesmente querendo que eu deixe minha casa, que eu não acho que esteja em uma área de risco. Se querem me proteger, que façam uma proteção com sacos de areia ao redor da minha casa e coloquem blocos de concreto entre o canteiro central [da rua que passa abaixo dos fundos do terreno do prédio que ruiu] e a minha casa. E, principalmente, que resolvam logo a demolição do prédio, que já está comprometido. Infelizmente, os moradores de lá já tiveram perdas, mas eu ainda não", disse o aposentado.

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