Cabo morto em cela teria sido jurado de morte

Outro policial envolvido em assassinatos em favela de BH recebeu ameaças, diz advogado

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Em um clima de tensão, foi enterrado na tarde deste sábado o corpo do cabo do Batalhão de Rondas Táticas Metropolitanas (Rotam), da Polícia Militar de Minas Gerais, Fábio Oliveira, 45 anos. O corpo de Oliveira foi encontrado ontem na cela em que estava preso por suposto envolvimento nas mortes de duas pessoas inocentes (parentes de um outro militar), ocorridas há uma semana, em uma favela na Região-Centro Sul de Belo Horizonte.

A PM de Minas informou que o cabo suicidou-se na madrugada de ontem com a corda de seu short, amarrada a um registro de chuveiro. O enterro aconteceu no cemitério Parque Belo Vale, em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Aproximadamente 400 pessoas acompanharam o funeral. Cabo Fábio teria recebido ameaças de mortes antes de ser preso.

AE
Enterro de soldado que se matou dentro de cela reuniu cerca de 400 pessoas. Policiais culparam mídia

O subtenente Luiz Gonzaga Ribeiro, da Associação de Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais (Aspra), disse que o cabo morto tinha uma conduta exemplar e foi ameaçado de morte antes de ser preso, na última quarta-feira. “Interessa aos traficantes o enfraquecimento da segurança pública. O secretário de Segurança Pública foi irresponsável ao dizer que os policiais envolvidos no caso são bandidos de farda”, afirmou Ribeiro.

O advogado dos policiais envolvidos nas mortes na favela, Ricardo Guimarães, disse que o soldado Jason Ferreira Paschoalino, também suspeito de envolvimento nas mortes, sofreu ameaças antes de ser preso. A sogra dele recebeu um telefonema em sua casa. A pessoa que ligou disse que mataria o soldado e toda sua família.

“Quem tem que definir a causa da morte não sou eu nem a família. Isso é obrigação da polícia e da Justiça. Espero Justiça, não interessa o que seja. Eu acredito que o Fábio teve um dano muito forte com a prisão dele. Ele era um cidadão honesto, decente e não estava pronto para isso”, afirmou o cunhado de Fábio Oliveira, Rogério Magno.

O parente disse ainda que Fábio havia pedido a ele que cuidasse de sua família, um casal de filhos e a esposa. “Ele foi execrado em praça pública, foi condenado antecipadamente. Emissoras de rádio e de televisão deram voz ao secretário de Defesa Social, que falou aquele absurdo”, desabafou, referindo-se à declaração do secretário de Defesa Social, de que “não tolera bandidos de farda”.

O advogado disse entender que o Estado pode ser responsabilizado pela morte, já que o militar estava sob custódia do governo. Para ele, Fábio Oliveira e outros três policiais militares também presos por envolvimento nas mortes na favela deveriam ter recebido assistência psicológica. “É preciso que a polícia técnica apure se foi suicídio. A princípio, tudo leva a crer que foi. A polícia tem que considerar uma assistência psicológica”.

Foi o advogado quem avisou aos policiais presos sobre a morte do colega, ontem. “Eles entraram em pânico, choraram e falaram que o Fábio não merecia isso, que tinha família e era atencioso com os filhos”.

Policial civil saca arma durante enterro

Profissionais de Imprensa foram hostilizados por parentes e por policiais. Um policial civil culpou a Imprensa pela morte do cabo e chamou os jornalistas de bandidos. Esse mesmo policial sacou uma arma após passar por um grupo de jornalistas. Chefe da assessoria de comunicação da PM mineira, o tenente-coronel Alberto Luiz pediu desculpas e disse que as ameaças do policial civil serão comunicadas ao secretário de Defesa Social, Lafayette Andrada.

    Leia tudo sobre: soldadosuicidiomortocelaenterrorevoltaimprensa

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG