Brasileiro morre ao atravessar fronteira entre México e EUA

Diego Guimarães e Cláudio Afonso tentavam entrar ilegalmente no Texas. Diego passou muito mal com o calor e morreu

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Arquivo Pessoal
O brasileiro Diego Guimarães, morto durante a travessia da fronteira
O Consulado do Brasil em Houston, no Estado do Texas, Estados Unidos, apura a morte de um jovem brasileiro de 24 anos. Natural de Minas Gerais, Diego Guimarães morreu ao lado do amigo Cláudio Afonso, de 22 anos, no último dia 8 (quarta-feira).

A dupla tentava entrar ilegalmente nos Estados Unidos pelo México, mas, segundo as primeiras informações, Diego passou muito mal, principalmente por causa do calor, e morreu nos braços de Cláudio, que cavou com as mãos um buraco para enterrar parcialmente o colega. Ao atravessar a fronteira e chegar a Houston, Cláudio foi detido em uma prisão para imigrantes ilegais e aguarda deportação ao Brasil.

Mãe de Cláudio, a comerciante Laudicéia Oliveira, de 45 anos, conta que tentou impedir o arriscado plano dos jovens. Ela recebeu dois telefonemas do filho e já entrou em contato com o consulado brasileiro em Houston. O Ministério das Relações Exteriores confirmou a existência de um brasileiro preso em Houston, mas não revelou a identidade, pois ainda não tem autorização dele. O ministério também informou que o Consulado do Brasil em Houston acompanha o caso.

Pelo que soube, parece que o Diego não aguentou o calor e teve uma parada cardíaca. Ele ficou desidratado, vomitou muito”, conta a mãe de Cláudio

A viagem

Diego e Cláudio saíram da cidade de Conselheiro Pena, no distrito de Ferruginha, região leste de Minas, no dia 24 de maio, para São Paulo. Ferruginha fica a 400 quilômetros de Belo Horizonte e a mais de 8.000 quilômetros de Houston.

Os amigos planejavam procurar emprego em Boston, no Estado de Massachusetts, a 3 mil quilômetros de Houston. No dia 25 de maio, eles partiram para o México, onde conheceram um coiote (pessoa paga para orientar na travessia ilegal para os Estados Unidos).

Reproducao Google Maps
Houston fica a 1.600 quilômetros da Cidade do México
“Meu filho me ligou nesta segunda (13) dizendo que o consulado irá levá-lo (nesta terça-feira, 14) ao local da travessia, para tentar localizar o corpo do Diego. O Cláudio está muito abalado e precisa de cuidados médicos. Pelo que soube, parece que o Diego não aguentou o calor e teve uma parada cardíaca. Ele ficou desidratado, vomitou muito”, conta Laudicéia.

A comerciante disse ainda que um advogado acompanha o caso nos Estados Unidos, mas não há previsão de retorno do filho.

Cláudio e Diego planejavam a travessia há dois meses, contou a mãe. Depois de receber a ligação do filho no último dia 10, ela contou à família de Diego sobre a tragédia.

“A família é vizinha e nem tem como descrever. A família do Diego está péssima. Não tem como estar pior porque a chance de se achar o corpo é mínima, já que é difícil descobrir o trajeto e já tem seis dias que ele morreu”.

Diego é o filho mais novo de uma família com quatro filhos. Ele já havia feito a travessia para os Estados Unidos de forma ilegal e foi deportado no ano passado. Já Cláudio é filho único e nunca havia viajado para o exterior. “Muitas pessoas os alertaram. Isso se chama falta de juízo”, lamentou a mãe de Cláudio.

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