A partir do próximo dia 28, elas terão de ser substituídas por sacos de pano ou feitas de materiais biodegradáveis

As tradicionais sacolinhas plásticas de polietileno sumirão da cidade de Belo Horizonte nos próximos dias. A lei 9.529/2008, que proíbe o uso do material, irá vigorar a partir de 28 de fevereiro e os comerciantes correm para se adequar à nova norma. A cidade é a primeira capital do País a tomar essa medida, que já vigora em diversos municípios do Brasil. No Rio de Janeiro, a proibição começa em julho deste ano, com o fim do período de adaptação.

Márcia Figueiredo, 45, proprietária de uma papelaria, está acabando com o estoque de sacolas plásticas, mas ainda não sabe se adotará uma alternativa semelhante. “Vamos vender sacolas de pano, já encomendei sacolas de brim. A iniciativa é positiva, mas estamos tendo dificuldades, pois os fornecedores não possuem o material biodegradável”, diz a comerciante.

O projeto de lei é uma iniciativa do vereador Arnaldo Godoy (PT). Ele explica que, depois de ser procurado por ambientalistas, apresentou o projeto em 2007, com a proposta de um prazo de três anos para os comerciantes se adequarem. O prazo vence no próximo dia 28, ressalta ele. “As sacolas de plástico de polietileno demoram de 300 a 400 anos para se decompor. Já as biodegradáveis levam 18 anos. Teremos multas de R$ 1.000, depois a multa aumenta e o comerciante pode até perder o alvará de funcionamento se não seguir a lei”, conta ele.

Entre os problemas causados pelas tradicionais sacolas plásticas o vereador lembra da dificuldade de decomposição do lixo orgânico em aterros sanitários, o entupimento de bueiros que causam enchentes, além da impermeabilização do solo.

Gerente de uma locadora de vídeos, Lucas Fernando, 21, diz que o setor de marketing da empresa está pesquisando valores para saber qual a alternativa mais viável na substituição da sacola plástica. Ele conta que a rede de quatro locadoras utiliza uma média de cinco mil sacolas por mês. A ideia, diz o gerente, é continuar a fornecer gratuitamente o produto para os clientes.

Algumas redes de supermercado, entretanto, irão cobrar dos consumidores pela sacola biodegradável. O vereador autor da proposta recomenda aos consumidores que procurem estabelecimentos que forneçam gratuitamente o produto. “Os empresários de grandes redes de supermercados têm condições de arcar com os custos, mas irão repassar para o cliente. O consumidor precisa ficar atento e procurar uma rede que forneça a sacola de graça”, afirma.

A partir do dia 13 de março a Prefeitura de Belo Horizonte inicia uma campanha de conscientização a respeito da importância do cumprimento da nova lei. Nesta semana, prefeitura e entidades do comércio assinaram protocolo de intenções. A assessoria de Imprensa da prefeitura divulgou que sacolas compostáveis serão vendidas a R$ 0,19 em redes de supermercados na capital.

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