Aposentado denuncia sumiço de restos de sua mãe em cemitério

Vereador foi apontado por coveiro como responsável por negociar sepultura já ocupada

Denise Motta, iG Minas Gerais |

O aposentado Eustáquio Antônio de Assis, de 44 anos, acionou a polícia e o Ministério Público para saber onde foram parar os restos mortais de sua mãe, Santina Augusto do Nascimento, morta em 2000. Sem costume de frequentar o Cemitério Municipal São Francisco de Assis, da pequena Caeté, cidade a 64 quilômetros de Belo Horizonte, ele esteve no local, no último dia 2, para visitar a sepultura da mãe. A surpresa veio porque não havia nem sinal de uma cruz especialmente colocada lá para homenagear sua mãe.

O aposentado procurou o coveiro com a documentação de compra da sepultura em mãos e obteve a informação de que um túmulo no local foi vendido em 2008 e um corpo foi enterrado neste ano. Depois de fazer um boletim de ocorrência na polícia, ele procurou o Ministério Público e por fim pretende acionar a Justiça mineira para punir os responsáveis. O coveiro deve ser intimado a ser testemunha nos processos, acredita o aposentado.

“Todo mundo da família está indignado. O coveiro disse que um vereador estava vendendo sepulturas e que foram muitas. Dizem que ele trocava voto por sepulturas. Quero Justiça. Quero saber onde estão os restos mortais de minha mãe”, contou o aposentado à reportagem do iG nesta quinta-feira (17). Assis disse que o vereador trabalhava na secretaria de Obras da Prefeitura de Caeté e que tratava da distribuição dos jazigos até ser eleito, em 2008. O aposentado também afirmou que já procurou a prefeitura pedindo esclarecimentos, mas ainda não obteve um retorno. E que não conhece o vereador acusado pelo coveiro.

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O vereador citado pelo coveiro, José Cristiano de Lima (PR), conhecido como Prutaco, foi procurado e negou a acusação. “É uma acusação muito grave e eu nego. Por telefone, é difícil falar, telefone é uma coisa muito chata. Procure-me pessoalmente na semana que vem”, esquivou-se o vereador de dar mais detalhes sobre o caso. Ele confirmou, entretanto, que já trabalhou na secretaria de Obras. Mas negou qualquer influência no comércio de sepulturas do cemitério. Ao jornal mineiro Hoje em Dia, o vereador disse que trata-se de uma “perseguição política”. Prutaco negou conhecer o aposentado que luta para descobrir o paradeiro dos restos da mãe.

A Prefeitura de Caeté foi procurada pelo iG e, por meio de nota, informou que vai apurar a situação. “O executivo municipal trata os cemitérios de sua responsabilidade com todo zelo e atenção. Após tomarmos conhecimento de uma denúncia, estamos averiguando se existe alguma procedência”.

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