Após morte de casal, Minas lança cartilha sobre uso de lareiras

Governo diz que decisão não antecipa laudo, mas admite preocupação com o uso das lareiras nas pousadas do Estado

Denise Motta, iG Minas Gerais |

O governo de Minas Gerais prepara uma cartilha para orientar turistas na utilização de lareiras em hotéis e pousadas. A iniciativa surgiu após suspeita de que um casal de universitários possa ter morrido devido à intoxicação por monóxido de carbono.

Arquivo Pessoal
Os namorados Alessandra Paolinelli Barros e Gustavo Lage Caldeira Ribeiro, em foto publicada na página dele no Facebook
Na semana passada, Gustavo Lage, de 23 anos, e sua namorada, Alessandra Paolinelli, 22 anos, morreram misteriosamente em um quarto de uma pousada de luxo onde havua uma lareira em Brumadinho, na Grande Belo Horizonte.

Laudo preliminar da Polícia Civil apontou que os corpos dos jovens possuíam concentração de monóxido de carbono acima do tolerável. As causas das mortes só serão esclarecidas após exames complementares cujos resultados serão divulgados nos próximos dias.

O secretário de Estado de Turismo de Minas, Agostinho Patrus Filho, destacou que a medida do governo em distribuir 10 mil cartilhas a 2.600 estabelecimentos de hospedagem em Minas não pode ser encarada como uma antecipação sobre o motivo que levou os estudantes à morte.

“Não estamos adiantando o laudo final. O que estamos fazendo é uma decisão proativa porque o inverno se aproxima e aumenta o volume de turistas em pousadas onde existem lareiras”, explicou o secretário.

Presidente da seção Minas Gerais da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), Silvânia Capanema diz que grande parte dos estabelecimentos de hospedagem no Sul de Minas possui lareiras.

Diretor de Assuntos Institucionais do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, o coronel Matuzail destacou que é preciso que haja circulação de ar no local onde a lareira está instalada para se evitar intoxicação por monóxido de carbono.

“O laudo sobre a morte dos universitários não é conclusivo, mas sabe-se que o ambiente estava fechado e com isso há a possibilidade de intoxicação. A intoxicação por monóxido de carbono, a partir de 30 minutos, pode ser irreversível. A partir de uma hora pode ser letal”, explicou o coronel.

A cartilha recomendará que lareiras não sejam utilizadas em ambientes totalmente fechados, sem circulação de ar. Além de lareiras, também serão focos da cartilha outros mecanismos que podem causar intoxicação como fogão e chuveiro com aquecedores a gás.

A cartilha deve ser divulgada já na próxima semana em sites do governo de Minas e da ABIH , mas também será impressa e enviada pelos Correios aos mais de 2.600 estabelecimentos de hospedagem em Minas.

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