Acusado de assassinato em favela, policial é achado morto na cela

Cabo foi encontrado enforcado na cadeia. Ele está envolvido na morte de dois moradores do Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Envolvido em assassinatos no Aglomerado da Serra , favela de Belo Horizonte, na madrugada do último sábado, o cabo Fábio de Oliveira, do Batalhão de Rondas Táticas Metropolitanas (Rotam), foi encontrado morto na manhã desta sexta-feira. De acordo com informações da Polícia Militar (PM), Oliveira suicidou-se com o cordão de seu short, amarrado a um registro de chuveiro, durante a madrugada, na cela em que estava preso desde a última quarta-feira. O corpo foi encontrado às 7h30, quando seria servido o café da manhã.

O tenente-coronel Alberto Luiz falou com a imprensa no final da manhã desta sexta e afirmou que não havia indícios de que o cabo poderia suicidar-se. Horas antes de se matar, o cabo recebeu a visita de sua esposa, informou a polícia. Uma filha também esteve no Batalhão, onde o militar estava preso em virtude de determinação da Justiça Militar. Ele também tomou banho de sol normalmente na quinta e percorreu uma área de esportes do batalhão. A cela onde o cabo estava tinha quatro metros por dois metros, instalação sanitária com chuveiro, uma cama, lençol e roupas.

O cabo entrou para a PM em 1º de junho de 1988, portanto completaria 23 anos na Polícia Militar de Minas neste ano. De acordo com o tenente-coronel Alberto Luiz, o militar tinha um histórico exemplar na corporação, sem registros de desvios de comportamento. Ele completou 45 anos na última quarta-feira, dia em que foi preso por envolvimento nos assassinatos na favela.

A hipótese de assassinato foi descartada inicialmente, mas um inquérito será instaurado para esclarecer as circunstâncias da morte do cabo. Uma vigilância permanente teria percebido caso alguém tivesse invadido a cela do militar, informou também a polícia. Não havia câmeras de vigilância na cela. De acordo com colegas do cabo morto, ele estava separado da esposa e deixa uma filha de 14 anos e um filho de 21.

Outros três policiais envolvidos nos assassinatos no Aglomerado da Serra, que também foram presos na última quarta-feira, terão vigilância reforçada após a morte do cabo. A PM também informou que está dando toda assistência à família do militar morto. O corpo dele passa por perícia no Instituto Médico Legal de Belo Horizonte e informações a respeito do enterro ainda não foram divulgadas.

Assassinatos

Na madrugada do último sábado, Jeferson Silva, 17, e seu tio, Renilson Veriano, foram assassinados durante uma operação do batalhão Rotam. Eles são sobrinho e irmão de um policial militar.
Inicialmente a PM alegou que foi recebida a tiros. Ontem, a corporação divulgou informações sobre os laudos das mortes, que indicam tiros no peito com a utilização de armas de grosso calibre, a poucos metros de distância, ou seja, à queima-roupa. Moradores revoltados com as mortes das duas pessoas queimaram ônibus no aglomerado, no sábado e no domingo.

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