Protesto começou pacífico no centro, mas ao alcançar região do estádio houve confronto. Lojas pegam fogo

Cerca de 40 mil pessoas participaram nesta quarta-feira (26) de uma manifestação, no centro de Belo Horizonte, em Minas Gerais, que terminou em confronto com policiais militares, saques, incêndio e pelo menos sete feridos, de acordo com o Corpo de Bombeiros. No caso mais grave, um jovem caiu de um viaduto, durante os protestos, e foi levado ao pronto-socorro João XXIII em estado grave, com múltiplas fraturas.

O protesto começou na região da Praça Sete, no centro da capital mineira, por volta das 12h. Segundo o comando da Polícia Militar, 15 mil manifestantes deixaram o centro no início do ato e caminharam até o estádio Mineirão, onde jogavam Brasil e Uruguai pela semifinal da Copa das Confederações.

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Grupo manifestantes coloca fogo em objetos na rua e bombeiros são acionados
Oslaim Brito/Futura Press
Grupo manifestantes coloca fogo em objetos na rua e bombeiros são acionados

O número de participantes aumentou e chegou a 40 mil. Houve confronto com os militares logo na chegada ao estádio e 24 manifestantes já foram detidos. No momento inicial do confronto, bombas de efeito moral teriam sido lançadas pela polícia para controlar o grupo.

Certos manifestantes mais violentos foram vistos invadindo duas concessionárias, uma de veículos e outra de motos, em frente à UFMG. A PM avançou para conter o saque, mas minutos depois manifestantes atearam fogo nos estabelecimentos. As chamas atingiram grandes proporções.

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Por volta das 19h55, o Corpo de Bombeiros informou que conseguiu controlar o incêndio e faz, neste momento, rescaldo e retiradas de objetos da via. Em seu twitter, a corporação informou ainda que não havia pessoas presas nas salas dos prédios em chamas. Além disso, pelo menos sete pessoas foram atendidas entre ferimentos e intoxicações

Mais cedo, às 16h45, na região da avenida Antônio Carlos, os bombeiros foram acionados para socorrer um jovem de 21 anos que havia caído de um viaduto durante os protestos. A vítima Douglas Henrique de Oliveira foi levada ao pronto-socorro João XXIII em estado grave, com múltiplas fraturas.

Concentração

Pela manhã, a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) chegou a realizar bloqueios na região. Ainda na concentração, os manifestantes decidiram após votação o trajeto da passeata: Praça Sete até a Pampulha seguindo pela avenida Presidente Antônio Carlos.

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Ainda segundo a BHTrans, grupos pequenos de manifestantes também se concentram nas proximidades do Palácio das Artes e do viaduto Santa Tereza. Aos motoristas que trafegam na avenida Afonso Pena, no sentido Mangabeiras, a orientação é pegar a rua Curitiba. O desvio é feito pela rua Espírito Santo.

Medo de depredação

Comerciantes do entorno do estádio buscam proteção para evitar novos prejuízos durante mais um protesto popular. Temendo um outro confronto entre manifestantes e policiais, quase todos eles recorreram a proteções para os seus estabelecimentos.

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Futura Press
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Na Avenida Antônio Carlos, por exemplo, onde há muitas concessionárias e agências bancárias, funcionários ainda colocavam tapumes de madeira nas fachadas para conter depredações. Já os mais cautelosos armaram a sua defesa com placas de metal. Como se não bastasse a barricada, alguns ainda estenderam faixas pedindo que fossem poupados de violência.

Policiais militares e agentes da Força Nacional terão um efetivo de 5.500 homens para segurar o protesto. Todos receberam a recomendação do prefeito Márcio Lacerda de adotar "tolerância zero" com quem pretender romper o raio de segurança imposto pela Fifa. Existem três barreiras para acessar o estádio da primeira semifinal da Copa das Confederações. 

Grande Belo Horizonte e região

Pelo terceiro dia consecutivo, manifestantes voltaram a interditar rodovias na região metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais, na manhã desta quarta-feira. Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), às 5h45 moradores da cidade de Juatuba interditaram o km 369 da BR-262, no sentido que leva a Belo Horizonte.

*com Gazeta Press, Reuters e Agência Brasil

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