Conselho de Sentença foi formado com atrasos nesta tarde de segunda-feira. Período da manhã foi marcado pela extensa etapa de alegações preliminares de MP e defesa

Começou com atrasos o julgamento do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, acusado de ser o executor de Eliza Samudio, no Fórum de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte. Segundo a assessoria do Tribunal de Justiça (TJ) de Minas, a sessão foi iniciada 9h30, mas o sorteio de jurados foi realizado por volta das 15h20. Após uma hora, o Conselho de Sentença estava formado: quatro homens e três mulheres decidirão o futuro de Bola.

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A atraso ocorreu pela extensa etapa das alegações preliminares da defesa e da Promotoria. O julgamento acontece no Fórum Pedro Aleixo, o mesmo onde Bruno foi condenado a 22 anos e três meses de prisão e Luiz Henrique Romão, o Macarrão, a 15 anos. Após o sorteio do júri, foi iniciada a fase de oitivas das testemunhas arroladas pela acusação, a primeira a falar é a delegada Ana Maria dos Santos Paes da Costa, que participou das investigações. 

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Na retomada dos trabalhos, a juíza Marixa Rodrigues indeferiu todos os questionamentos feitos pelo advogado de defesa de Bola, Ércio Quaresma, durante a preliminar. Quaresma havia questionado o fato de uma das juradas do julgamento de Bruno ter passado mal e isso não ter constado da ata.

"O incidente não foi ocorrido durante os trabalhos. Embora a jurada tenha recebido atendimento médico, foi preservada sua incomunicabilidade', afirmou a juíza. Sobre o atestado de óbito de Eliza e a alegada falta de competência do Fórum de Contagem para realizar o julgamento, Marixa disse que esta é uma "questão já ultrapassada, nesta e em outras instâncias superiores", que reconheceram a Comarca de Contagem como legítima para realização do júri.

Marixa também indeferiu alegação de cerceamento de defesa pela realização do julgamento sem a presença de Jorge Luiz Lisboa, o primo de Bruno arrolado como testemunha e que não compareceu, a exemplo do ocorrido no julgamento do goleiro. "Tendo residência fora desta comarca, não tinha obrigação de comparecer", afirmou a juíza.

Bate-boca

No início do dia, Ércio Quaresma criticou a atuação do Ministério Publico, comparando-a com a Inquisição, e defendeu o adiamento do julgamento. Para ele, o motivo é a existência de investigações em andamento sobre a participação de outros supostos envolvidos no caso: os policiais José Lauriano, o Zeze, e Gilson Costa.

O promotor Henry Vasconcellos disse que as investigações "suplementares visam a mais ampla reunião de provas de coautoria de outros dois parceiros do réu". Ele disse também que a defesa age como se estivesse antecipando a fase dos debates.

Mais cedo, a testemunha que não havia comparecido ao Fórum de Contagem, o jornalista José Cleves, foi encontrada para depor. O depoimento de José Cleves faz parte da estratégia de tentar desqualificar o então chefe das investigações da época do desaparecimento de Eliza, delegado Edson Moreira.

Para a defesa, Moreira, que hoje é vereador, tem uma perseguição pessoal com Bola. Cleves foi acusado de matar a mulher, mas depois acabou inocentado. O caso também foi conduzido por Edson Moreira. No início de julgamento, o advogado de Bola chegou a pedir à juíza Marixa Rodrigues o adiamento do júri, o que ela negou.

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