Arquivada investigação sobre preconceito em clipe de Alexandre Pires

O procurador analisou que o clipe "Kong" pretende invocar a virilidade, força e masculinidade do gorila e não sua negritude

Denise Motta, iG Minas Gerais |

O Ministério Público Federal (MPF) em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, decidiu arquivar procedimento que investigava preconceito no videoclipe da música "Kong", do cantor Alexandre Pires. A investigação foi aberta após pedido de entidade ligada à Presidência da República. O clipe mostra homens vestidos de gorilas e mulheres de biquínis, o que foi considerado ofensivo para negros e a classe feminina.

Entenda o caso: Procuradoria investiga suposto racismo em clipe de Alexandre Pires

No despacho de arquivamento, o MPF sustenta que “não se pode concluir, ao menos objetivamente, pela ocorrência de racismo, por absoluta ausência do elemento subjetivo caracterizador dessa conduta lesiva”.

O caso ganhou a mídia após a Ouvidoria Nacional da Igualdade Racional, órgão da presidência da República, ter reclamado investigação, medida atendida pelo MPF de Uberlândia, codade natal de Alexandre Pires. Ao tomar conhecimento do caso, Pires disse ter ficado chocado e posicionou-se contra qualquer tipo de preconceito. Além dele, estão vestidos de gorilas o jogador Neymar e o compositor Mr. Catra.

Procurador da República, Frederico Pelluci investigou o caso e declarou que “a despeito de se reconhecer a utilização da figura do macaco como expressão preconceituosa, em relação à população negra, não se avista, no presente caso, essa intenção”. E completou: “Embora historicamente a relação homem-macaco seja utilizada para desumanizar o negro, não se pode concluir que qualquer trabalho de expressão invoque a figura do macaco (gorila) tenha, desde sempre, este objetivo.”

Alexandre Pires se diz 'chocado' com investigação de clipe

O procurador ainda analisou que o clipe pretende invocar a virilidade, força e masculinidade do gorila e não sua negritude. Ele também negou relação da letra da música com ataques “a quem quer que seja”, mas sim a uma forma de apresentação bem humorada, seja ela de bom ou mau gosto.

Bananas no campo

Pelluci citou em seu despacho caso recente de discriminação contra o jogador de futebol Daniel Alves, atingido por bananas jogadas ao campo. Naquele episódio, diz o procurador, o jogador se sentiu humilhado porque foi “clara a relação homem-macaco presente na ofensa perpetrada”. Alves dançou a música "Kong" meses depois do episódio no campo, o que reforçou a tese para o procurador negar relação da música de Pires com preconceito racial. Sobre a ofensa às mulheres de biquínis no videoclipe, Pelluci disse que tal situação ocorre sistematicamente na mídia

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