Religioso contrata segurança depois de ameaça em Minas Gerais

Assim como Dorothy Stang, que foi assassinada, ele defende direito à moradia para pobres

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Arquivo pessoal
Frei Gilvander durante ocupação de área em Belo Horizonte
A desocupação de uma área no Barreiro, em Belo Horizonte, por forças policiais graças a uma decisão judicial, ganhou destaque com a prisão do rapper Emicida, no dia 12 . Em apresentação na capital mineira, o artista declarou-se favorável à chamada ocupação Eliana Silva, que reúne mais de 300 famílias. Outro capítulo envolvendo a ocupação refere-se ao frei Gilvander Moreira. Liderança que trabalha pelo direito à moradia das famílias, ele vem sofrendo constantes ameaças e precisou contratar por conta própria um segurança.

Conhecido por militar em causas sociais, Gilvander disse ao iG que não se intimida com as ameaças sofridas. Na porta de sua casa, onde moram outros 10 freis – em Belo Horizonte, na região da Pampulha – , foram identificados quatro homens perto de um Uno branco, na rua e chuva. Um deles estava com um pedaço de madeira nas mãos.

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Frei Gilvander conta que, durante a desocupação no Barreiro, flagrou violência praticada por policiais e até mesmo o desespero de uma mãe impedida de amamentar sua filha de quatro meses, por 36 horas. Pessoas ligadas ao frei estão sendo intimidadas, conta ele. A principal intimidação ocorreu dois dias depois da desocupação.

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“Dois freis se assustaram muito e pensaram que seriam atacados. Os estranhos ficaram em campana na porta da minha casa, até o horário em que eu deveria chegar. Curiosamente, justo neste dia, eu tive um imprevisto e cheguei mais tarde em casa. Isso aconteceu na terça-feira (último dia 15)”, contou ao iG o frei Gilvander, atendido pelo Programa de Proteção dos Defensores de Direitos Humanos Ameaçados de Morte, uma iniciativa da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e da Secretaria de Direitos Humanos do Governo Federal.

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Em Minas, o programa surgiu em 2009 e, conforme o advogado André Almeida de Moura, há 48 pessoas atendidas, além de Frei Gilvander. Ele conta que entre os mais ameaçados estão os militantes pela reforma agrária, pelos direitos de quilombolas e militantes ambientais. “Recentemente, em março, tivemos mortes no interior e pedido de inclusão de mais pessoas no programa. Nossa intenção é dar publicidade e em alguns casos pedir escola do poder público para que estas pessoas continuem trabalhando pelos direitos humanos”, explicou o advogado do programa.

Entre os casos mais emblemáticos no País, de assassinatos de líderes a favor de direitos humanos, está o da missionária Dorothy Stang, morta em 2005 por defender o direito à moradia para os mais pobres, mesma causa defendida por Frei Gilvander.

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