Polícia mineira indicia suposto estuprador após 15 anos do crime

Carta de vitima é prova para indiciar ex-bancário; Pedro Meyer confessou três crimes e é investigado por 11 estupros

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Divulgação
Pedro Meyer, indiciado por estupro e atentado violento ao pudor
Após 15 anos lutando para superar o trauma de ter sido estuprada quando criança, uma mulher de 26 anos renovou as esperanças em ver seu agressor pagar pelo seu crime. Ela reconheceu o homem neste ano, andando pelas ruas da região centro-sul de Belo Horizonte e o denunciou. O inquérito do estupro foi reaberto e sua conclusão apresentada nesta quinta-feira (10), pela delegada Margaret Rocha, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher.

Mais de 43 mil mulheres foram mortas no País na última década, diz estudo

O ex-bancário Pedro Meyer, 57 anos, foi indiciado pelo crime de estupro e atentado violento ao pudor. Ele teve a prisão decretada após o reconhecimento da vítima e pode ter envolvimento em pelo menos outros 10 crimes. Sem demonstrar arrependimento ou remorso, Meyer, além de confessar este crime, ele ainda afirmou ter estuprado outras duas jovens: na Praça da Estação, centro da capital; e no bairro Anchieta, onde morava antes de ser preso.

Para cada um dos crimes cometidos no ano de 1997 contra a criança de 11 anos, Pedro Meyer pode ser condenado de seis a 10 anos, chegando a ter uma pena máxima de 20 anos. Suspeito de outros 11 estupros, sua pena, em caso de indiciamento e condenação, poderia chegar a 200 anos. Pela legislação brasileira, o prazo de cumprimento máximo de pena em regime fechado é de 30 anos.

Grande parte das supostas vítimas de Pedro Meyer, conhecido como Maníaco do Anchieta, era abordada dentro de seus prédios. A maioria também era de jovens e crianças. A suspeita é de que ele entrava nos prédios fingindo estar acompanhado por algum morador ou pelo portão da garagem, quando um veículo saía. Ameaças de morte a familiares também eram constantes para intimidar as vítimas a não ter qualquer reação ao abuso.

Leia sobre os casos de violência contra a mulher

A delegada Margaret foi quem cuidou do caso em 1997, quando iniciava sua carreira em apuração de crimes contra mulheres. Na ocasião, o vestido e a calcinha da criança foram recolhidos como provas. A segunda peça, com esperma do agressor, desapareceu do Fórum Lafayette, em Belo Horizonte, onde constava como parte do inquérito arquivado, informou a delegada. O fórum, por meio de sua assessoria de imprensa, afirmou que apura o caso para depois se manifestar.

Divulgação
Trecho da carta em que vítima descreve como Pedro Meyer cometeu o crime
Sem a calcinha da vítima, que seria uma prova material do crime, a delegada concentrou-se em outras evidências para indiciar o ex-bancário. Entre as evidências estão apreensões de roupa, boné e óculos utilizado pelo agressor e uma carta da vítima, escrita pouco depois do crime, à polícia. Na carta, a criança conta que o nome do agressor era Pedro, pois havia conversado com ele. “Na carta ela diz que foi observada por ele antes de ser abordada”, afirmou a delegada.

A hipótese de falha da polícia na apuração deste crime foi descartada pela delegada Margaret porque foi a própria família da vítima quem pediu interrupção das investigações, levando ao encerramento do inquérito. Segundo a delegada, a vítima sempre demonstrou uma grande esperança em identificar e punir seu agressor. "Não existe prescrição neste momento. A prescrição é no próximo ano. Esperamos a condenação de Pedro Meyer", conlcuiu a delegada. O advogado de Meyer não foi localizado para comentar o indiciamento.

    Leia tudo sobre: violência contra a mulherestupro

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG